Saiba o que é a aromaterapia

Saiba o que é a aromaterapia

Atualizado: Quinta-feira, 6 Outubro de 2011 as 7:20

A primeira coisa que aprendemos em uma aula de Yoga é respirar. A inspiração e a expiração pelas narinas de forma lenta e ritmada fazem toda a diferença na prática. Então, imagine-se em savasana com o corpo totalmente relaxado inspirando um aroma suave de lavanda, que traz sensação de paz e serenidade. Com certeza, seu relaxamento será bem mais profundo. A aromaterapia – ramo que se utiliza de óleos essenciais para prevenir e tratar problemas físicos, psicológicos e energéticos –, aliada ao Yoga, só potencializa seus benefícios.

Durante uma aula, os óleos têm diversos fins: podem ser usados para aromatizar o ambiente – em substituição ao incenso, que contém substâncias tóxicas – durante a prática de asanas, pranayamas, meditação e no relaxamento final. Os efeitos da prática são ressaltados pelos óleos. A professora de Iyengar Yoga Mayra Castro, de Curitiba (PR), aliou as duas técnicas e consegue bons resultados com seus alunos. “Os óleos essenciais potencializam os benefícios das técnicas terapêuticas do Yoga, contribuindo para o relaxamento do sistema nervoso, para a purificação do aparelho respiratório, auxilia na prática de meditação e traz uma informação emocional a mais quando trabalhados com um asana”, explica.

De acordo com a aromaterapeuta Samia Maluf, da By Samia, quando usados durante uma prática de Yoga, os óleos dão mais elasticidade à pele e aos músculos e ativam o metabolismo. “A pessoa recebe os benefícios dermatológicos, psicológicos e nos órgãos do corpo”, diz. Além disso, ela explica que, aromatizados no ambiente, eles agem como antissépticos.

Sabemos também que é pela respiração que percebemos quando estamos ansiosos, com medo ou serenos, e as ações tranquilizantes dos óleos essenciais podem tratar os mais diversos problemas, como estresse, ansiedade, fobias, depressão, problemas respiratórios, resfriados, dores de cabeça, tensões musculares, gastrite ou azia nervosa. Além de cólicas, enjoos gástricos e TPM.

Com crises frequentes de enxaqueca, a desenhista Iara Macedo Foggiatto começou a praticar Yoga e a usar os óleos essenciais por recomendação de Mayra. “Fazia aulas de spinning, mas tive de parar por causa das dores frequentes. Além do uso da aromaterapia, faço acompanhamento com um neurologista, mas a melhora foi nítida quando associei os dois tratamentos. Se antes tinha crises de duas a três vezes por mês, hoje tenho uma a cada quatro meses”, conta. A aposentada Marilis Magalhães também aprovou o uso dos óleos com o Yoga. Sofrendo vários problemas de saúde como LER nos dois cotovelos, ela conta que a prática ajudou na sua cura, e acelerou sua recuperação no tratamento de um câncer. “Pratico todos os dias, além de caminhar 6 km diariamente. Depois de unir as duas terapias, o resultado foi mais rápido. Uso óleo de eucalipto para obstrução nasal; para relaxar, inalo a lavanda e em casa uso óleos para melhorar a circulação nas pernas e aliviar dores musculares.”

Na prática

Mayra, que dá cursos que ensinam a usar a aromaterapia nas aulas de Yoga, diz que o professor pode usar óleos específicos com algumas finalidades como, por exemplo, preparar uma aula de extensões usando cítricos – óleos energizantes que trabalham o emocional –, aromas terrosos para posturas que precisam de uma base forte no solo; aromas florais para a sutileza das flexões para a frente, entre outros.

O uso de um ou vários óleos na mesma aula pode variar de acordo com o objetivo da aula. A professora Susana Francovig, de Londrina (PR), prefere usar apenas um aroma a cada aula no momento dos pranayamas e yoganidra. “Se vou trabalhar um tema específico, busco sempre a harmonia do óleo como agente facilitador. Por exemplo, se pretendo uma aula mais interiorizada e com maior concentração, uso sândalo. Se pretendo desenvolver mais paciência, tranquilidade e serenidade, uso lavanda ou rosa”, explica.

Para a professora Alessandra Ângelo, de Curitiba (PR), o melhor momento de usar os óleos é durante os exercícios respiratórios, pingando algumas gotas no lenço de papel ou durante o relaxamento, quando a pessoa está deitada e pode colocar o lenço sobre o rosto ou sobre o peito, o pescoço ou a testa. “A combinação é perfeita. Usando ao menos os óleos básicos para relaxamento (lavanda, capim-cidreira, laranja), a pessoa consegue se conectar mais à sua respiração e se concentra, ouve o relaxamento com mais clareza, pois seus outros sentidos estão aguçados, estimulados pelo óleo essencial”, conclui.

Para Mayra, a hora mais apropriada para se usar os óleos essenciais é durante o yoganidra. Baseada na técnica de swami Satyananda, ela introduziu a aromaterapia e batizou de aromanidra. “É um relaxamento profundo sem dormir usando um sankalpa, que pode ser traduzido como resolução ou determinação que o praticante faz em relação ao seu direcionamento na vida, escolhido por ele ou como apoio às sensações que serão despertadas durante a prática. Por exemplo, um sankalpa de enraizamento pede aromas de vetiver; um sankalpa de autoconfiança, copaíba; a lavanda para outros.”

Cuidados

Segundo ela, todos podem se beneficiar da aromaterapia. Os únicos cuidados são em relação às posturas. “Conhecer as contraindicações das posturas do Yoga é fundamental, porque não podemos esperar que os óleos essenciais anulem a contraindicação de uma postura como, por exemplo, deixar um hipertenso fazer sirsasana só porque ele acabou de inalar ylang-ylang”, acrescenta. Para Mayra, é muito mais fácil um professor de Yoga adquirir conhecimentos de aromaterapia e aplicá-los em sala de aula do que um aromaterapeuta aprender fundamentos básicos do Yoga para usá-los em sua terapia.

Samia explica que todas as pessoas podem se beneficiar com óleos, mesmo as alérgicas, pois os óleos essenciais são naturais. “A pessoa pode ter alergia a óleo sintético, mas se não gostar de uma determinada fragrância, é porque dentro da memória olfativa aquilo remete a alguma lembrança negativa”, afirma.

Aprenda a usar os óleos 

Dores de cabeça Lavanda francesa e hortelã-pimenta (uma gota em um lenço de papel sobre o rosto) em savasana ou sethu bandha sarvangasana com bolsters.

Cólicas menstruais Camomila-romana diluída à proporção de 3% a 5% em óleo vegetal de massagem, aplicado no baixo ventre em supta baddha konasana e supta virasana feitos com bolsters.

 Hipertensão Ylang-ylang completo e capim-limão para ujjayi pranayama em savasana (uma gota de cada num lenço de papel colocado sobre o rosto).

Congestionamento nasal e sinusite Eucalipto glóbulos, cipreste e tea tree. Faz-se a inalação a seco de uma gota de cada e depois kapalabhati kriya.

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