Sem vasinhos nas pernas para o verão

Sem vasinhos nas pernas para o verão

Atualizado: Terça-feira, 18 Outubro de 2011 as 10:43

O verão está chegando e com o calor não tem como evitar que as pernas fiquem à mostra. Sendo assim é natural o desejo de exibi-las bonitas e saudáveis. No entanto existe um problema comum, que atrapalha bastante esse projeto de pernas impecáveis, mesmo que a pele esteja bronzeada e hidratada e coxas e panturrilhas torneadas – são as microvarizes ou vasinhos, denominadas clinicamente como telangiectasias.  

Essas veias de coloração azulada ou avermelhada que se vê através da pele – em ramificações fininhas que não passam de 1 mm, como se fossem uma raiz de árvore – incomodam a vaidade feminina com relevância. “Tenho alguns vasinhos na parte interna do joelho. São bem discretos, e há muito tempo eles são do mesmo jeito, não aumentam nem engrossam, mas me incomodam profundamente. Por causa deles fiquei com mania de sempre colocar as mãos no joelho quando cruzo as pernas, para tampá-los”, conta a analista de sistemas Karina Galbini, 32 anos, do Rio de Janeiro.

Apesar de ser um problema puramente estético, isto é, que não implica em nenhum risco para a saúde, é comum a preocupação de que eles se tornem varizes um dia, mas essa possibilidade é remota. “Esses vasos não se dilatam a ponto de se tornarem varizes. O que normalmente acontece é eles aumentarem em quantidade. Porém é bom observar, pois a existência desses vasos indica a tendência para a formação de varizes”, alerta o angiologista e cirurgião vascular Eduardo Fávero, do Rio de Janeiro.

Conheça as causas e os tratamentos para ficar livre dos vasinhos

Genética

As causas que desencadeiam os vasinhos são principalmente genéticas. “Cerca de 70% das pessoas atendidas nos consultórios têm pai ou mãe com variz. E as pacientes que têm a herança dos dois, pai e mãe, apresentam o dobro de chance de desenvolver o problema do que quem não tem pais com essa característica”, quantifica o angiologista e cirurgião vascular Marcelo Araújo, diretor da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular.  

No entanto, além do fator genético algumas situações aumentam as chances dos vasinhos aparecerem – uma das principais é a gestação. “A gravidez aumenta o volume de sangue circulante, sobrecarregando as veias. A ação dos hormônios favorece a dilatação das veias, dificultando o bombeamento do sangue venoso(que retorna ao coração, contra a gravidade); e a compressão do feto nas veias do abdômen também dificulta o retorno do sangue para o tronco”, justifica Marcelo.

Estilo de vida

Além da gravidez, alguns fatores desencadeantes, sempre presentes no ranking dos culpados, têm relação direta com o estilo de vida. São eles sedentarismo, excesso de peso, uso constante de salto alto, tabagismo, uso de anticoncepcional, ficar muito tempo sentada ou em pé e a influência natural dos hormônios femininos, mesmo sem gestação, como o estrogênio. “Não é à toa que o problema atinge três vezes mais as mulheres do que os homens”, destaca o angiologista e cirurgião vascular Charles Angotti, de São Paulo.Tudo acontece por causa de sobrecarga na parede das veias, que acaba levando à dilatação.  

“A falta de exercícios deixa os músculos da panturrilha frágeis e isso não é bom, pois são eles que impulsionam o sangue de volta ao coração, contra a gravidade. O sobrepeso sobrecarrega o sistema venoso, porque há mais tecido para ser irrigado e drenado. Os hormônios dilatam as veias e o salto alto muda a posição do pé dificultando a contração da panturrilha, que fica menor e não faz direito o movimento de bombear o sangue para cima”, justifica Marcelo Araújo.  

Porém, vale lembrar que cada um desses fatores isoladamente não tem potencial para provocar o problema. “O salto alto, por exemplo, é apenas um fator de risco, mas o que provoca a formação de vasinhos e varizes é a soma de vários fatores. Ninguém vai ter varizes apenas por usar salto alto”, ressalta Eduardo Fávero.

Diagnóstico

Identificar os problemas e fragilidades das veias parece não ser tarefa muito difícil ou nebulosa. “Um bom exame clínico no consultório faz o diagnóstico em mais de 80% dos casos”, afirma Charles Angotti. “E no caso de complicações, o ultrassom doppler colorido é o exame de imagem que melhor auxilia no diagnóstico e identificação das gravidades das doenças. É um exame essencial na escolha do tratamento mais eficaz para cada caso”, relata o médico.

Como prevenir

Apesar de ser um problema genético e hormonal, alguns hábitos podem prevenir a formação das microvarizes. A seguir, o angiologista e cirurgião vascular Eduardo Fávero, do Rio de Janeiro, aponta oito atitudes fundamentais para manter- se bem longe dessa encrenca.

Evite o sedentarismo   - Exercícios aumentam a força de contração dos músculos das pernas, tornando as bombas musculares mais eficientes. Mantenha o peso ideal - Sobrepeso geralmente significa acúmulo de gordura na região interna do abdômen, o que aumenta a pressão local, dificultando o retorno do sangue.

Troque o elevador pela escada -  Ao contrairmos os músculos da panturrilha, uma bomba natural de sangue é acionada, impulsionando-o para cima e estimulando a circulação.

Não abuse do salto alto   - O funcionamento das bombas de sangue depende de alternar contração e relaxamento muscular. Durante o relaxamento, os músculos se enchem de sangue e, com a contração, esse sangue é bombeado. Com salto alto os músculos da panturrilha estão em constante contração, o que prejudica o preenchimento de sangue da fase de relaxamento.

Não fume   - O cigarro causa sérios danos à parede dos vasos sanguíneos, além de aumentar as chances de formação de trombos (coágulos no interior das veias que causam trombose venosa profunda, doença séria com complicações que podem ser fatais e deixar sequelas transitórias ou definitivas).

Cuidado com longas viagens   - Ficar com as pernas paradas por muito tempo em confinamento, como acontece na maioria dos meios de transporte, diminui intensamente a velocidade de circulação do sangue. E sangue que não circula, vai coagular.

Consulte um angiologista regularmente   - A maioria das mulheres tem o hábito de consultar esse médico apenas quando as varizes estão formadas. Mas é importante fazer um controle pelo menos duas vezes por ano para prevenir. Quanto antes o problema for tratado, mais chances de sucesso.

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