28% dos moradores de SP dizem conviver com dor há mais de 3 meses

28% dos moradores de SP dizem conviver com dor há mais de 3 meses

Atualizado: Quinta-feira, 10 Junho de 2010 as 8:22

O primeiro levantamento epidemiológico sobre dor na cidade de São Paulo mostra que 28,1% dos moradores convivem com o problema há mais de três meses.

O número, próximo ao divulgado pela Organização Mundial da Saúde (30%), surpreendeu a coordenadora do trabalho, Maria do Rosário de Oliveira Latorre, professora do departamento de epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da USP.

"Achei que teríamos uma taxa maior do que a mundial, porque em Salvador ela é mais alta. Mas, ainda assim, o dado é muito grave", diz.

Ser mulher, ter entre 45 e 64 anos, estar acima do peso e ter baixa escolaridade são, isoladamente, os fatores mais associados à dor.

Os pesquisadores ouviram uma amostra de 2.446 pessoas com 18 anos ou mais, representativa dos moradores da cidade, em 2008.

"A população acredita que a dor faz parte da vida e do envelhecimento, por isso demora para buscar assistência especializada. Isso pode cronificar a dor", afirma Fabíola Peixoto Minson, diretora da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor.

"A dor tem que ser vista como doença, porque deixa a pessoa sem dormir bem, faz com que ela se isole socialmente e traz prejuízo no humor. O que debilita a vida é a dor", completa.

Perfil

As mulheres são as que mais sofrem desse mal --35% delas têm dor, contra 20% dos homens.

O coordenador do centro de dor do Hospital Nove de Julho, Claudio Corrêa, tem explicação para isso.

"Uma só doença (que causa dor), a fibromialgia, atinge 2% da população, e são dez mulheres para cada homem. E há as doenças provocadas por mudanças hormonais, que são muito importantes na faixa dos 45 aos 64 anos, como osteoporose e enxaqueca. Essa é, talvez, a dor mais prevalente, e ela atinge bem mais mulheres", afirma.

¦Um estilo de vida pouco saudável e o processo de envelhecimento --comum a homens e mulheres - são outros fatores que contribuem para esses índices.

"A dor pode estar associada a doenças degenerativas, que já acontecem a partir dos 40 anos. E o estilo de vida sedentário, que pode levar à obesidade, também propicia o desenvolvimento de dores", diz Fabíola Minson.

Segundo o levantamento, os membros inferiores e as costas são as regiões do corpo mais afetadas.

"Doenças crônicas, como o diabetes, em fase mais avançada, trazem dores nos membros inferiores. Os processos de artrite e artrose afetam as articulações que têm sobrecarga, como os joelhos, e atingem mais pacientes a partir da quarta década de vida", afirma Corrêa.

Campanha

Para Fabíola Minson, é importante criar campanhas para convencer a população de que a dor não é normal. "Antes acreditava-se que a dor era só um sinal de alerta e que tinha que tratar a causa. Mas, em algumas patologias, como a dor nas costas, isso não é possível. Tem que tratar a dor."

Postado por: Felipe Pinheiro

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