85% dos paulistanos não consideram o colesterol um fator de risco

85% dos paulistanos não consideram o colesterol um fator de risco

Atualizado: Terça-feira, 20 Janeiro de 2009 as 12

O presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, Ari Timerman, foi recebido em audiência, pelo Secretário Estadual de Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata. Durante o encontro, foi apresentado o resultado da Pesquisa SOCESP sobre fatores de risco cardiovascular, encomendada ao Instituto Datafolha pela SOCESP.

O levantamento traça um panorama sobre as doenças cardiovasculares no Estado de São Paulo e revela o conhecimento (ou desconhecimento) da população sobre os principais fatores de risco para o coração, como tabaco, colesterol, diabetes, estresse, obesidade, sedentarismo, alcoolismo, entre outros.

"O resultado do trabalho tem 200 páginas e traz números que surpreenderam até os cardiologistas, como o fato de 85% dos paulistas não considerar o colesterol um fator de risco para o coração", afirma Ari Timerman. O presidente da SOCESP lembra que a população, segundo a pesquisa, desconhece que o tabaco é prejudicial ao coração (apenas 31% apontaram espontaneamente o cigarro), que o sedentarismo também faz mal (19% conhecem o fator de risco). "O mesmo ocorreu com o estresse (19% indicaram como fator de risco), pressão arterial (18%), alcoolismo (17%), obesidade (13%) e por último o diabetes (apenas 6% apontaram a doença como fator de risco para o coração)".

Ari Timerman aproveitou o encontro com o secretário Barradas para colocar a entidade à disposição e trabalhar em parceria com o Estado. "Vivemos uma epidemia de doenças cardiovasculares e precisamos unir forças para vencer essa guerra", ressaltou. O Brasil registra 100 mil infartos anualmente. Só no Estado de São Paulo, 25 mil pessoas morrem em média, por ano, vítimas de problemas cardiovasculares. "É preciso reverter esses números", defende o presidente da SOCESP.

Luiz Roberto Barradas Barata aproveitou a oportunidade para propor uma parceria entre Governo do Estado e SOCESP, para a realização de um Mutirão do Risco Cardíaco. "Podemos organizar um evento para avaliar os riscos cardiovasculares da população e ao mesmo tempo instruir essas pessoas sobre os cuidados com a saúde do coração. Esse tipo de iniciativa dá resultados muito significativos, a exemplo do que acontece com o Mutirão da Mamografia, que já é uma realidade no Estado", afirmou o Secretário de Saúde.

A Pesquisa SOCESP sobre fatores de risco cardiovascular foi elaborada pela própria SOCESP e aplicada pelos pesquisadores do Datafolha com metodologia do Instituto. Foram pesquisados 2.096 paulistas com idade entre 14 e 70 anos, em todas as regiões do Estado. (veja principais resultados do estudo abaixo).

Também esteve presente no encontro o secretário de Saúde da cidade de Campinas e diretor da SOCESP, José Francisco Kerr Saraiva.

Dados da pesquisa

Colesterol

85% dos paulistas não consideram o colesterol um fator de risco para o coração, apesar de metade já ter feito exame para avaliar a taxa de gordura no sangue. Entre os jovens e pessoas das classes D e E apenas 8% se lembram do colesterol quando questionados sobre as possíveis causas dos problemas cardiovasculares. Metade dos entrevistados nunca mediu a taxa de gordura do sangue e 89% dos entrevistados não sabem que existe HDL (colesterol bom).

Obesidade

Apenas 4% dos paulistas apontam a medida da circunferência abdominal como a melhor maneira para avaliar a obesidade. Em algumas cidades do interior, como Ribeirão Preto e Campinas, este índice cai para 2%. O aspecto visual, com 36%, aparece em primeiro lugar, seguido do peso, citado por 31% dos entrevistados. O IMC (Índice de Massa Corpórea) foi lembrado por 12%. 81% dos homens não sabem que a medida ideal de circunferência abdominal masculina é igual ou menor que 90 cm.

Diabetes

58% dos entrevistados já mediram o nível de glicose no organismo. Mas apenas 6% dos paulistas associam o excesso de açúcar no organismo aos problemas do coração. O Diabetes está em último lugar entre os fatores de risco citados, atrás de Tabagismo (31%), Sedentarismo e Estresse (19%), Pressão Arterial (18%), Alcoolismo (17%), Colesterol (15%) e Obesidade (13%). O estudo mostrou também que 77% dos entrevistados não sabem o nível normal de açúcar no sangue em um adulto (entre 51 e 100 mg/dL).

Estresse

Depois do fumo com 32% das indicações, o estresse com 22% de citações é considerado pelo paulistano como o principal fator de risco. Em terceiro lugar os entrevistados apontaram a pressão alta com 18%, seguida pelo alcoolismo com 17%, sedentarismo 16% e colesterol 15%.

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