A evolução do transplante de rim

A evolução do transplante de rim

Atualizado: Quarta-feira, 17 Agosto de 2011 as 10:04

  A história do transplante começa com as primeiras tentativas de transfusões de sangue no século XVII e com o aprimoramento das técnicas de sutura. O grande uso das transfusões durante a I Guerra Mundial (1914-1918) propiciou o surgimento dos bancos de sangue para armazenagem e foi um importante passo para os primeiros transplantes de órgãos iniciados no século XX. De lá pra cá, entre erros e acertos, atualmente, o transplante se tornou a melhor terapia substitutiva para aquele órgão que não possui mais chances de se recuperar e funcionar normalmente.

Especificamente sobre transplante de rins, o número dessas cirurgias tem aumentado a cada ano. Segundo a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos – ABTO, em 2010, foram realizados 4.680 transplantes renais - um aumento de 8% em relação a 2009. “Apesar do bom resultado, este crescimento ainda é muito tímido”, diz a nefrologista Sandra Vilaça, especialista em transplante renal do Hospital Felício Rocho, de Belo Horizonte, Minas Gerais. “Infelizmente, este número não reflete o Brasil como um todo, devido às grandes variações entre os Estados. Enquanto o Sudeste faz a maior parte dos transplantes, o Norte faz muito pouco. E há também o problema da demanda ser maior do que a oferta” , pondera Sandra.

O aumento dos transplantes renais se deve a melhorias nas políticas relacionadas a esse procedimento; aperfeiçoamento dos profissionais envolvidos; avanços na técnica cirúrgica, como a nefrectomia por videolaparoscopia que estimula a doação de doadores vivos; e o incremento dos doadores com critérios estendidos (aqueles que antes não preenchiam os critérios ideais de doação, mas que agora passam a integrar uma lista de possíveis doadores).

Outra notícia positiva que veio com a melhoria das técnicas transplantadoras é o aumento de receptores com mais de 60 anos. Segundo Sandra Vilaça, atualmente, dos pacientes transplantados, 10% possui entre 60 e 65 anos. Apesar da maioria dos estudos se referirem aos 80 anos como limite, não existe uma idade determinada para fazer o transplante. Mesmo sendo mais suscetíveis a doença cardiovascular, infecção e malignidade, os idosos que estiverem nas condições clínicas aceitáveis podem receber o novo rim, além de serem pacientes mais aderentes ao tratamento. “É importante ressaltar que os idosos que passam por um transplante renal bem sucedido têm uma melhor qualidade de vida e sobrevivem mais do que na diálise”, observa.

Ainda assim, o transplante renal esbarra em algumas dificuldades, pois não é validado a todos os pacientes. Além de avaliar criteriosamente cada caso, o médico precisa monitorar o sistema imune, usar a imunossupressão adequada ( terapia para reduzir a ativação ou a eficácia do sistema imunológico para se evitar a rejeição do órgão transplantado) e melhorar a condição cardiovascular do receptor desde a diálise. Outro desafio está no diagnóstico precoce e tratamento, além do controle das infecções virais para minimizar o risco de malignidades.

O paciente também tem papel importante no sucesso do transplante. “Além dos cuidados habituais, ele deverá estar motivado e consciente da importância de tomar seus medicamentos imunossupressores regularmente, que evitam que o sistema imunológico reaja contra o novo rim. A não aderência é o maior fator de risco à perda do órgão, e isso acontece principalmente com os pacientes mais jovens” , explica Sandra. Entre as opções de tratamento disponíveis atualmente destaca-se o sirolimo, que inibe a proliferação celular e a produção de anticorpos. Este princípio ativo se liga a uma proteína intracelular formando um complexo que inibe a ação da mTOR (Mammalian Target of Rapamycin), resultando na supressão do sistema imunológico e impedindo assim a rejeição.

* 27 de setembro - Dia Nacional da Doação de Órgãos

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