A hora da bike

A hora da bike

Atualizado: Sexta-feira, 26 Fevereiro de 2010 as 12

Aliar a prática esportiva à rotina das grandes cidades é uma tarefa árdua. Reunir energias para encarar exercícios antes ou depois de um dia de trabalho e de horas preso no trânsito é uma atitude louvável. A complicada rotina dos grandes centros faz que cada vez mais pessoas procurem alternativas para manter a saúde em alta. Adotar a bicicleta como meio de transporte aparece como uma saída de multibenefícios: faz bem ao corpo e à mente, poupa tempo, diverte e não polui o ambiente.

Segundo Páblius Staduto Braga da Silva, médico do esporte do Hospital 9 de Julho, pedalar com frequência combate a obesidade e a pressão alta. "O corpo submetido regularmente aos treinos recorre à gordura corporal como fonte energética, fazendo que os praticantes percam peso e aumentem a resistência". O especialista aponta a atividade como uma aliada contra o diabetes. A doença se dá pela baixa produção de insulina no organismo, uma das substâncias responsáveis por metabolizar o açúcar para a corrente sanguínea e mantê-lo em níveis normais. O exercício, por sua vez, faz que o coração do praticante trabalhe melhor e ele precise de menos insulina; fator que também colabora para que o oxigênio chegue mais facilmente aos músculos, ajudando a controlar a pressão arterial. 

Pedalar só faz bem

Outra boa notícia: não é necessário se submeter a fortes cargas para obter resultados para a saúde. De acordo com Silva, o ideal é fazer exercícios em um ritmo confortável para o corpo. "Os ganhos vêm com a prática frequente e não com a intensidade". Sessões de 30 minutos, repetidas cinco vezes por semana, já oferecem ótimos frutos. Não há uma receita comum para determinar o quadro de evolução como "aumente um quilômetro a cada dez dias". Cada pessoa tem seu biótipo e rotina de treino.

Portanto, a regra é começar devagar. Nesse contexto, a ergométrica aparece como uma boa solução. "Ela possui comandos de velocidade e de carga ajustáveis que facilitam a dosagem de energia e de esforço". É uma boa opção para quem não quer se arriscar no trânsito urbano.

Antes de começar

Se a ideia vai além de um passeio leve e esporádico nos finais de semana, alguns exames podem ser necessários. "Candidatos com mais de 45 anos, fumantes, sedentários e com histórico familiar de morte súbita, diabetes, dislipidemia, hipertensão arterial, doenças coronárias e vasculares e tabagismo devem consultar um especialista para evitar problemas", recomenda Daniela Fernanda Alli Hermely, cardiologista da Unidade Radiológica Paulista. É o médico quem vai determinar a necessidade de avaliações complementares, como teste ergométrico, eletrocardiograma, hemograma, função renal, glicemia e ecocardiograma.

"Pedalar é uma atividade que traz saúde para a mente e melhora a qualidade do sono", indica Daniela. Os iniciantes precisam de um a dois meses para a adaptação respiratória e muscular. "Comece em lugares planos, para evitar esforço excessivo nas subidas", diz.

O que você precisa saber

Além dos cuidados de segurança, o ciclista deve estar atento ao seu bemestar. "A hidratação é fundamental, especialmente durante a atividade. Beba água antes de sair e leve sempre uma garrafa para repor o líquido consumido enquanto pedala", indica Páblius Staduto Braga da Silva, médico do esporte do Hospital 9 de Julho. A alimentação também deve ser controlada. Não saia depois de fazer alguma refeição mais pesada, como almoço. Evite comidas gordurosas e que dificultem a digestão antes de pedalar. E mais: "Nem pense em pedalar sem filtro solar", avisa o médico.

De casa para o trabalho

Entre os adeptos está a analista de seguros Beatriz Teruel, que pedala de sua residência até o trabalho, três vezes por semana, há dois anos. "Os intermináveis engarrafamentos me irritam. Agora, além de evitar o estresse, eu ganho tempo e exercito meu corpo". A ciclista encara, diariamente, um percurso de 21 km de casa ao escritório. De carro, esse trajeto é percorrido, geralmente, em 1 hora e 10 minutos. De ônibus o tempo sobe para 1 hora e 40 minutos. "Meu recorde pedalando é de 48 minutos, mas em média eu concluo em 50 minutos", comemora.

Adotar uma "magrela" como meio de transporte age como um estimulante psicológico. "Eu fico mais bemdisposta e trabalho mais feliz. Agora sou atleta", comemora Beatriz.

Vá com segurança

Andar de bicicleta por ruas urbanas pode ser arriscado. Entretanto, Beatriz revela que nunca sofreu acidente indo ou voltando do escritório. "Respeitar as leis de trânsito é uma regra essencial para garantir a segurança, especialmente em uma cidade de movimento intenso como São Paulo". Segundo balanço da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a capital paulista registrou 690 mortes de janeiro a junho deste ano. Nesse período foram 29 acidentes envolvendo ciclistas.

Os grandes centros são pobres em ciclovias. O risco aumenta diante do mau preparo dos condutores. "A principal causa de acidentes envolvendo ciclistas é a falta de respeito dele, dos motoristas e de motociclistas", aponta Marcos Mazzaron, diretor da Federação Paulista de Ciclismo. Algumas pessoas acham que rodar no contrafluxo é mais seguro. Não é. Será sempre mais fácil para o condutor do veículo fazer uma manobra para evitar um acidente quando ele vem de trás.

Mais ciclovias

Algumas empresas apoiam os funcionários- ciclistas. "Reformamos o vestiário, instalamos armários e um bicicletário para incentivar nossos colaboradores a optar por um transporte mais saudável e não poluente", conta Fábio Luchetti, vice-presidente da Porto Seguro. O executivo aderiu à campanha até ficar sem tempo. "Sinto falta, pois é uma atividade que quebra a rotina e era minha alternativa para os dias de rodízio".

Mais ciclovias Algumas empresas apoiam os funcionários- ciclistas. "Reformamos o vestiário, instalamos armários e um bicicletário para incentivar nossos colaboradores a optar por um transporte mais saudável e não poluente", conta Fábio Luchetti, vice-presidente da Porto Seguro. O executivo aderiu à campanha até ficar sem tempo. "Sinto falta, pois é uma atividade que quebra a rotina e era minha alternativa para os dias de rodízio".

Por Ivan Alves

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