A ilusão do pré-diabetes dificulta o tratamento da doença

A ilusão do pré-diabetes dificulta o tratamento da doença

Atualizado: Quarta-feira, 18 Maio de 2011 as 11:36

Estamos perplexos com a enormidade dos casos definidos como "pré-diabetes". São aqueles casos de pessoas que tem glicemias acima dos valores normais, mas abaixo dos valores considerados diabéticos. Não são normais, mas também não são diabéticos. Mas como entender que uma pessoa com glicemia de jejum de 120mg/dL não seja diabética se aquelas com valores de 126mg/dL recebam de pronto o selo diagnóstico?

Na verdade, são fases evolutivas de uma mesma doença. Progressiva. Inexorável. Não há diabetes leve, não há pessoas com "um pouco de diabetes" e aparentemente não há uma fase pré-diabética. De acordo com médico diabetologista Ralph DeFronzo da Universidade do Texas nos Estados Unidos, em seu artigo de revisão publicado nessa semana na revista Diabetes Care, quando uma pessoa evolui para as fases mais avançadas do quadro chamado pré diabetes, ela já tem uma perda da sua capacidade de produzir insulina da ordem de 70 a 80% e cerca de 10% delas já manifestam complicações oculares da doença, a chamada retinopatia diabética.

O que acontece com essa doença para que ela seja capaz de confundir pacientes e médicos em uma aparente benignidade que nos deixa permissivos? Muitas vezes o paciente evolui com a perda progressiva da sua capacidade de produzir insulina e durante anos revelam glicemias limítrofes entre o normal e o diabético sem serem medicadas como deveriam. Tudo isso com uma aparente benignidade de algumas miligramas a mais de glicose no sangue.

A cada dia nós entendemos que não há nada de benigno nessa transitoriedade de perfis glicêmicos. Que o pré-diabetes nada mais é do que o início de uma doença progressiva e debilitante e que não podemos ser tão simplistas e acomodados, orientando apenas que o paciente faça dieta e perca peso. Apesar da grande dificuldade de um paciente com diabetes perder e manter peso, os estudos científicos revelam que 40 a 50% deles progridem para o diabetes, mesmo que alcancem essa façanha.

Na verdade, eles precisam receber tratamento medicamentoso para que consigam evitar, ou pelo menos desacelerar a progressão da doença. Precisam entender a dinâmica do processo, para que possam enfrentar o diabetes desde o seu início, de maneira realista e positiva, sem perder tempo imaginando-se como pré-doentes, numa fase muito importante para o seu tratamento.  

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