A intensidade da cólica menstrual pode dizer muito sobre a sua saúde

A intensidade da cólica menstrual pode dizer muito sobre a sua saúde

Atualizado: Segunda-feira, 24 Outubro de 2011 as 12:51

Logo no primeiro dia do ciclo menstrual, cerca de 70% das adolescentes e adultas sofrem com dores. Velha conhecida, a cólica – conhecida no mundo médico como dismenorreia – não deve ser encarada como frescura feminina, mas também não deve ser vista como uma doença, a menos que as dores sejam intensas demais. Alimentação equilibrada e exercícios de relaxamento formam a dupla de prevenção ao incômodo, ideais para substituir o uso de analgésicos e anti-inflamatórios.

A cólica, usualmente, começa antes da chegada da menstruação. “Um dia antes vêm as cólicas, que seguem até o fim da menstruação”, diz César Eduardo Fernandes, ginecologista e presidente da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (SOGESP). De acordo com o médico, as dores tendem a diminuir com o passar dos dias, mas boa parte das mulheres ainda sente irritação, mal-estar e náuseas.

Intensidade é o que conta

O que pode revelar se a cólica é um problema de saúde é magnitude da dor da dismenorreia, que é dividida em primária e secundária. O primeiro tipo está ligado com a maioria dos casos de cólicas menstruais. “É uma dor fisiológica comum associada ao aumento da substância prostaglandina produzido no endométrio e à contratação do útero”, explica Soraia Zhouri, professora do departamento de ginecologia e obstetrícia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Mulheres que usam dispositivo intrauterino (DIU) podem sentir mais cólicas no final do ciclo, em razão do aumento da liberação de prostaglandina.

Já a secundária é consequência de problema ginecológico, como miomas, endometriose, inflamação pélvica e malformação uterina. O incômodo de modo geral começa na parte inferior do abdome e irradia para as coxas e para a região lombar, podendo ser confundidas com dores na coluna. Médicos fazem o diagnóstico de dismenorreia primária pela exclusão de causas do tipo secundário. Assim, quando a paciente informa que as dores surgiram na fase adulta é feita a investigação por meio de exames de toque vaginal, ultrassonografia, tomografia ou videolaparoscopia para encontrar alguma disfunção.

Como tratar

Pílulas anticoncepcionais são indicadas no tratamento de cólica primária. “Hormônios das pílulas dificultam a produção de prostaglandina, mas são indicadas para mulheres que não desejam engravidar”, explica o Dr. César. Outra maneira é usar anti-inflamatório e analgésico um dia antes do início do ciclo menstrual.

Já quando o problema de saúde é complexo, é preciso o tratamento da causa, de acordo com a professora da UFMG: “Pode ser necessário recorrer à cirurgia em situações de endometriose, câncer ou miomas grandes”. Medidas simples ajudam a amenizar e até mesmo prevenir a cólica em geral. Os especialistas recomendam fazer exercícios aeróbicos, beber água e evitar sal para não reter líquidos, além de adotar dieta rica em fibras, vegetais e frutas. Se mesmo assim as dores aparecerem, vale o conselho da vovó: coloque bolsa de água quente na região abdominal.

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