A ligação entre uma dieta saudável a esperma "mais forte"

A ligação entre uma dieta saudável a esperma "mais forte"

Atualizado: Sexta-feira, 21 Outubro de 2011 as 11:50

Por anos os nutricionistas têm defendido a noção de que você é o que você come. Agora, novas pesquisas sugerem que este ditado pode ser usado também quando o assunto é fertilidade, mais especificamente em relação à quantidade e à força dos espermatozóides.

A observação decorre de um par de estudos apresentados este mês no encontro anual da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, em Orlando, na Flórida, que salientam uma aparente ligação entre a nutrição e a qualidade do sêmen.

O resultado: dietas ricas em carne vermelha e grãos processados parecem prejudicar a capacidade do espermatozóide de se movimentar, enquanto dietas ricas em gorduras trans parecem diminuir a quantidade de espermatozóides encontrados no sêmen.

“A principal descoberta de nosso trabalho é que uma dieta saudável parece ser benéfica para a qualidade do sêmen”, disse Audrey J. Gaskins, autora do primeiro estudo. Atualmente candidata a doutorado no departamento de nutrição da Escola de Saúde Pública de Harvard, em Boston (Estados Unidos), Gaskins e trabalhou com pesquisadores da Universidade de Rochester (EUA) e da Universidade de Murcia, na Espanha.

“Uma dieta saudável com uma maior ingestão de peixes, frutas frescas, grãos integrais, legumes e verduras parece melhorar a motilidade dos espermatozóides", explicou Gaskins explicou, “isso significa que mais espermatozóides de fato se movem pelo útero, em vez de ficarem parados.”

As conclusões de Gaskin se baseiam em um estudo com 188 homens com idades entre 18 e 22 anos, todos recrutados em Rochester. Eles preencheram questionários com seus hábitos alimentares e suas dietas foram categorizadas como ocidental (rica em carne vermelha, carboidratos refinados, doces e bebidas energéticas) ou como prudente (composta de peixes, frutas, verduras, legumes e grãos integrais).

Foto: Getty Images

Depois disso, foram feitos espermogramas para avaliar a concentração, o movimento e a forma dos espermatozóides dos participantes. Embora a dieta não tenha tido impacto algum na forma ou no número de espermatozóides contidos no líquido seminal, a mobilidade dessas células sofreu impacto nos voluntários que consumiam a dieta ocidental, mesmo depois de considerar fatores como raça, histórico de tabagismo e índice de massa corporal (IMC). Gaskins salientou, no entanto, que é necessário mais pesquisas para melhor compreender exatamente como a nutrição pode afetar a mobilidade dos espermatozóides.

“Este foi um estudo pequeno, e não sabemos se há algo a mais nestes homens que faz com que eles tenham uma pior mobilidade nos espermatozóides”, observou ela.

“Não sabemos se a nutrição realmente provoca a mudança. Portanto, tudo o que podemos dizer agora é que há uma associação entre nutrição e a qualidade do esperma.”

Numa frente semelhante, um segundo estudo liderado por Jorge Chavarro, professor assistente de nutrição e epidemiologia na Escola de Saúde Pública de Harvard, revelou que homens que comem dietas com quantidades relativamente altas de gorduras trans tinham menos concentração de espermatozóides no líquido seminal. Além disso, a quantidade de gordura trans encontrada no esperma e no sêmen desses homens também era aumentada. A conclusão foi retirada de um estudo com quase 100 homens submetidos a uma análise do impacto da qualidade nutricional no sêmen.

Mesmo depois de considerar uma ampla gama de fatores, tais como consumo de álcool, idade, tabagismo, IMC, ingestão de cafeína e total de calorias consumidas, os autores constataram que, embora a ingestão de gordura trans parecia não ter impacto sobre a forma e o movimento dos espermatozóides, consumir mais gordura trans diminuía a concentração de espermatozóides de um indivíduo.

Edward Kim, da Universidade de Tennessee, reagiu aos dois estudos com entusiasmo e cautela.

“Acho que esta pesquisa é, certamente, muito sugestiva de que os fatores dietéticos podem ter impacto sobre a infertilidade masculina”, disse Kim, que também atua como presidente da Sociedade de Reprodução Masculina e Urologia.

“E os estudos nos apontam para uma direção que sugere que um estilo de vida saudável pode estar relacionado a uma melhor qualidade do esperma”, acrescentou. “Mas é evidente que mais pesquisas nesta área são necessárias para chegarmos a conclusões definitivas.”

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