A menopausa antes da hora

A menopausa antes da hora

Atualizado: Sexta-feira, 21 Outubro de 2011 as 8:05

Após os 40 anos, é comum que as mulheres entrem no processo chamado menopausa. Elas param de ovular, a menstruação passa a ocorrer com maior intervalo até que cessa por completo. Por determinadas razões, normalmente genéticas, algumas mulheres passam por essa situação antes da idade característica. Mas você sabe como identificar e o que deve fazer?

O termo menopausa precoce não deve ser mais utilizado, já que em alguns casos a possibilidade de ovular, menstruar e até de ter filhos novamente pode ser revertida. “Mulheres de todas as idades podem sofrer de falência ovariana prematura, mas o quadro algumas vezes é temporário e, por isso, não pode ser chamado de menopausa”, explica o Dr. Paulo Margarido, ginecologista do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (USP).

Reconheça os sinais

Mulheres e adolescentes podem passar pela pausa antes da hora, conhecida no meio médico como falência ovariana prematura pelos médicos. E o essencial para reverter o caso é reconhecer alguns sintomas. “O principal deles é o intervalo entre uma menstruação e outra, que aumenta, até o seu desaparecimento”, alerta o Dr. Fernando Reis, professor do departamento de ginecologia e obstetrícia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Além da menstruação, as mulheres costumam se queixar de calores repentinos e intensos (também conhecidos como fogachos). Por causa do calor, a sudorese costuma aumentar também. E, de acordo com o Dr. Paulo, algumas pacientes reclamam de sintomas clássicos da tensão pré-menstrual, como irritabilidade, dores de cabeça e instabilidade emocional.

Como os calores acontecem em vários períodos do dia e da noite, o sono pode ser perturbado. Consequentemente, pacientes reclamam de sono e cansaço. Outros dois sinais aparentes são formigamento nas mãos e ressecamento vaginal, que pode chegar a dores durante as relações sexuais.

Por que acontece

Normalmente por causas genéticas, as mulheres desenvolvem a falência ovariana prematura. Passadas de geração para geração, costumam ser identificadas somente quando os primeiros sintomas aparecem. Segundo o Dr. Fernando, pacientes em tratamento de câncer com quimioterapia ou radioterapia também podem desenvolver a falência ovariana.

Algumas doenças auto-imunes também podem causar a chamada menopausa precoce. “Diabetes e problemas na tireoide são possíveis causas”, diz o Dr. Paulo. Mas vale lembrar que a falência ovariana pode ser temporária, por isso é importante consultar um ginecologista e junto com ele achar o tratamento adequado.

Reverta o caso

Apesar de não poder ser evitada, a falência ovariana prematura tem tratamento. E, segundo o Dr. Paulo, o método escolhido precisa ser bem avaliado pelo médico, especialmente se a mulher ainda não teve filhos e pretende fazer um planejamento familiar. “Como um dos tratamentos é feito com anticoncepcionais, mulheres mais jovens que não tiveram filhos devem conversar com o médico para que, se houver uma reversão do quadro, elas possam engravidar”, afirma.

Basicamente, é feito tratamento com reposição hormonal. Se ela não teve filhos, são usados hormônios naturais e, se a mulher já teve filhos e se encontra em uma idade mais próxima a da menopausa, o médico recomenda anticoncepcionais.

O processo de falência ovariana costuma diminuir a quantidade de cálcio nos ossos, portanto é necessário fazer uma reposição para evitar osteoporose. Os dois ginecologistas recomendam uma dieta rica em cálcio e, dependendo da avaliação da massa óssea, pode ser receitado também um medicamento. Praticar exercícios físicos leves constantemente também melhoram esse quadro.

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