A Quimioterapia durante gravidez

A Quimioterapia durante gravidez

Atualizado: Segunda-feira, 3 Outubro de 2011 as 9:48

Tratar grávidas com câncer com drogas quimioterápicas fortes parece não fazer mal os bebês, mas antecipar o parto para evitar submetê-los à   quimioterapia   faz, de acordo com um estudo feito por especialistas em câncer.

Os cientistas que estudaram a saúde e o desenvolvimento mental de crianças nascidas de mães que fizeram tratamentos contra o câncer durante a gravidez constataram que eles não foram afetados pela quimioterapia, mas foram prejudicados se nasceram prematuros, seja naturalmente ou por indução.

“ Os dados sugerem que as crianças sofrem mais com a prematuridade do que com a quimioterapia pré-natal ”, disse Frederic Amant, oncologista ginecológico do Hospital da Universidade de Leuven, na Bélgica, que liderou a pesquisa e apresentou suas   descobertas   no Congresso Europeu Multidisciplinar de Câncer (EMCC), em Estocolmo, na Suécia.

Segundo ele, os resultados mostram que não há necessidade de grávidas com câncer se submeterem a abortos ou atrasarem o tratamento quimioterápico para após o primeiro trimestre de   gestação , mas ressaltou que os   médicos   devem evitar induzir o nascimento precoce, se possível.

Estima-se que 2.500 a 5.000 mulheres grávidas na Europa são diagnosticadas com câncer a cada ano – um diagnóstico que é duplamente traumático, pois as futuras mães temem que tanto a doença quanto o tratamento possam prejudicar o bebê.

Amant disse que em sua experiência, muitas mulheres decidem interromper a gravidez porque não sabem dos riscos do tratamento de câncer para o feto, mas presumem que é   prejudicial . Médicos, também, muitas vezes aconselham suas   pacientes   a adiar o tratamento de   câncer   ou induzir o parto mais cedo – geralmente em torno de 32 semanas de gestação, disse ele.

Mas, de acordo com as descobertas do especialista, o conselho é descabido se a quimioterapia é dada após as primeiras 12 a 14 semanas de gravidez. Apenas uma fração desses medicamentos atravessa a placenta e chega ao feto, Amant disse, e as drogas parecem não ter impactos no desenvolvimento dos bebês.

Entre as 70 crianças nascidas a partir de 68 gestações no estudo, cerca de dois terços foram entregues antes de 37 semanas de gestação. A equipe de Amant constatou que as taxas e tipos de   defeitos congênitos   entre os bebês foram semelhantes às da população em geral, assim como saúde, crescimento e desenvolvimento. Os pesquisadores também não encontraram   anormalidades cardíacas .

O que o grupo descobriu foi: enquanto o desenvolvimento cognitivo – medido por escores como o quociente de inteligência (QI) e testes comportamentais – estava na faixa normal para a maioria das crianças, os que tinham QI abaixo do normal foram principalmente aqueles que nasceram prematuramente.

É já sabido que os   bebês   nascidos muito cedo têm um risco maior de desenvolver dificuldades de aprendizagem, e estudos recentes mostraram também que as crianças nascidas até 1 ou 2 semanas antes do período normal de   gestação   (40 semanas) também são mais propensos a desenvolver dificuldades de aprendizagem.

Amant ressaltou que porque o número de mulheres neste estudo foi pequeno e o tempo de acompanhamento foi relativamente curto – ele e a equipe planejam estudar um número maior de   mulheres   por mais tempo em pesquisas futuras.

" Neste estágio não sabemos exatamente as consequências a longo prazo da quimioterapia pré-natal, incluindo seu efeito sobre a fertilidade dessas   crianças   e probabilidade delas desenvolverem câncer quando forem mais velhas ", disse o médico.

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