A terapia do riso funciona

A terapia do riso funciona

Atualizado: Segunda-feira, 3 Outubro de 2011 as 8:11

Já reparou como algumas pessoas têm o astral nas nuvens? Elas esbanjam sorrisos nas fotos e inspiram alegria nas pessoas que estão ao redor. Não abrem mãos das gargalhadas mesmo tendo problemas como qualquer pessoa, pois sabem encarar a vida com leveza e otimismo. Essas pessoas já descobriram na prática o que pesquisas comprovam e já dizia também o dito popular: rir é o melhor remédio.

Cientificamente comprovado, dar boas risadas libera neurotransmissores responsáveis pela sensação de bem-estar no organismo, já que a risada eleva a produção de serotonina, reduzindo o hormônio do estresse no sangue, conhecido como cortisol. Tanto é verdade que o assunto virou até especialidade terapêutica, a risoterapia.

E não é preciso se esforçar muito. Segundo especialistas, o cérebro não sabe a diferença entre a gargalhada espontânea e a risada forçada, o que torna possível exercitar o bom humor. É o que explica Marcelo Pinto, risoterapeuta que possui certificado pela Escola de Riso de Portugal. “Os benefícios entre tipos diferentes de risos são os mesmos, mas é mais fácil obter resultados quando associamos alguma memória afetiva e engraçada.”

Ria junto

Às vezes, a reação de algumas pessoas pode ser mais hilária do que a própria piada e fazer você rir, pois o riso é contagioso. Ele está relacionado aos chamados neurônios espelhos, os mesmos que nos fazem bocejar quando alguém abre aquele “bocão” de sono. “Essas células imitam o comportamento de outra pessoa como se ela própria estivesse sofrendo a ação –  daí a importância de estimular a risada em companhia”, conta Marcelo.

A conta é simples: se rir faz bem e, juntos, nós rimos com mais facilidade, por que, então, ficar perto de pessoas mal humoradas? Estar ao lado de quem encara a vida com leveza também é uma questão de saúde. Isso sem contar que uma boa gargalhada ainda atua como analgésico natural, reduzindo a dor e provocando euforia, na medida em que libera endorfina no cérebro.

Segundo o risoterapeuta, estudiosos chegaram a essa conclusão após submeterem um grupo de pessoas a sessões de filmes engraçados, enquanto outras pessoas acompanhavam filmes entediantes. Passados 15 minutos, as pessoas que assistiram a comédia apresentaram maior tolerância a sensações desconfortáveis, como suportar um saco de gelo colocado sobre o braço durante alguns minutos.

E os benefícios não param por aí. A risada também promove uma espécie de massagem facial devido ao movimento realizado pelos músculos do rosto: o orbicular, onde se formam as rugas; e o zigomático, que eleva a bochecha para cima com o sorriso. O resultado é uma pele mais rejuvenescida com o tempo. Praticar risadas também faz com que o coração bombeie sangue com maior intensidade, o que fortalece o músculo cardíaco.

Ria de si própria

O pneu furou ou acabou a bateria do celular? Relaxe. O melhor de tudo é manter o bom humor. E por que não dar risadas? “Acúmulo de pequenos aborrecimentos só faz mal, já as pessoas que sabem encarar os próprios problemas com diversão são mais resistentes a distúrbios neurológicos”, lembra a Dra. Fátima Niemeyer, psicoterapeuta humanista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Segundo ela, o problema tem o tamanho que damos a ele. “Cada um tem uma maneira de reagir contra o estresse. Aprender a dar risadas ou não reclamar por tudo protege contra ansiedade e pequenas angústias do cotidiano, além de previnir danos ao cérebro e às artérias coronárias.”

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