Abóbora: Para ver melhor

Abóbora: Para ver melhor

Atualizado: Quarta-feira, 24 Fevereiro de 2010 as 12

No title O dia pode não ser o das bruxas, mas ela promete dar um susto nas substâncias que teimam em prejudicar sua saúde. Mesmo assim, muita gente prefere deixar a abóbora (Cucurbita pepo L) de lado no prato. Se esse é o seu caso, tomara que, depois de ler esta reportagem, você mude de ideia. Afinal, o alimento é uma das melhores fontes de carotenoides, composto fundamental para a manutenção de diversas funções no corpo.

"Um dos principais carotenoides dessa fruta [sim, a abóbora é um fruto] é o betacaroteno, que pode ser biologicamente transformado em vitamina A", afirma a professora de nutrição Yeda Sotelo, da Universidade Anhembi Morumbi (SP). Este último nutriente atua prevenindo alterações na visão, na pele e no cabelo e também dá uma forcinha contra os radicais livres - aqueles responsáveis pelo envelhecimento celular. 

Flocos e óleo

Os flocos de abóbora são feitos por meio da secagem da fruta. De acordo com a nutricionista Elenise Corbari, do Rio Grande do Sul, eles "podem ser usados para fabricar mistura láctea e outros alimentos, como macarrão e biscoitos". O interessante é que, nessas composições, grande parte dos nutrientes é preservada.

O óleo de semente de abóbora extravirgem também é sugestão saudável. "É fonte de gorduras poliinsaturadas [do tipo boa], vitamina E, carotenoides e aminoácidos raros. Por isso combate os radicais livres e ajuda no equilíbrio das gorduras."

"A carência de vitamina A pode levar à cegueira e à morte. O consumo de abóbora é uma alternativa para manter os níveis regulados", diz a professora de nutrição Cassiani Gotâma Tasca Pedroso, da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul).

Mas os benefícios do betacaroteno vão além da visão. Estudo publicado na American Heart Association revelou uma redução de 30% a 40% de doença coronariana em indivíduos com ingestão alta desse composto e de vitamina E, podendo, inclusive, ajudar no aumento dos níveis do bom colesterol (HDL).

Escolha certa!

Dúvidas na hora de comprar e armazenar a abóbora? Acabe com elas agora mesmo!

Para comprar: a casca não deve ser brilhante. Isso indica que a abóbora foi colhida muito nova e tem menor qualidade. A já descascada, picada em pedaços pequenos e embalada deve estar refrigerada. Quando mantida fora da geladeira, ela estraga rapidamente. Os melhores preços para compra ocorrem de maio a setembro.

Para armazenar: mantenha a fruta com cabinho, pois assim ela é conservada por mais tempo. A abóbora seca comprada picada em pedaços grandes e com casca tem menor durabilidade que a inteira, e deve ser conservada em geladeira, envolvida com saco plástico, por até uma semana.

Células e intestino protegidos

Se os carotenoides se destacam entre os nutrientes da abóbora, então é melhor darmos nomes a todos. O &e45;-caroteno é um deles. Ele é parecido com o betacaroteno, com a vantagem de ser mais eficiente no combate às células que dão origem a tumores. A luteína é outra aliada na manutenção da visão e também um antioxidante. O licopeno, por sua vez, tem importante função na prevenção do câncer, principalmente o de próstata. A substância também diminui o risco de doenças cardiovasculares e de catarata.

De acordo com a professora da Anhembi Morumbi, depois de ingerirmos fibras solúveis (aquelas que se dissolvem em água), encontradas em verduras, frutas e legumes - e em boas quantidades na abóbora -, elas entram em contato com as bactérias presentes no intestino, produzindo diversas substâncias químicas. Uma delas é o butirato, um ácido graxo responsável pela nutrição das células intestinais.

"Quando essas células estão mal alimentadas, pode ocorrer o aparecimento de tumores e alterações na região", explica Yeda Sotelo. Outros problemas causados por esse motivo são hemorroidas e síndrome do intestino irritável.

Os hábitos alimentares modernos incluem inúmeros alimentos ricos em gordura, responsáveis pelo aumento de colesterol. Nesses casos, a ingestão de fibras também auxilia a minimizar os danos causados ao organismo, já que elas têm o poder de reter parte da gordura dos alimentos e carregá-la para fora do corpo.

A importância das fibras, no entanto, não para por aí. Essa substância é um tipo de laxante suave. Dentro do corpo, elas também agem aumentando os movimentos do intestino, facilitando a saída de tudo o que o organismo quer eliminar.

"Por esse motivo é aconselhada para a recuperação de doenças agudas do aparelho digestório, especialmente a inflamação dos intestinos", afirma a professora dos cursos de farmácia e nutrição Edeli Simioni de Abreu, da Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP).

É, ainda, diurética, por seu equilíbrio de sódio e potássio. Funciona assim: o sódio drena e armazena água fora das células, enquanto o potássio atrai a água para dentro delas. Como esses dois minerais trabalham juntos, seu equilíbrio no corpo é fundamental para que o sistema funcione em harmonia.

Em 2006, uma pesquisa feita na China revelou outra boa-nova sobre a abóbora. Descobriu-se que o extrato dessa fruta tem efeitos similares ao da insulina e pode ajudar pessoas com diabetes a manter o açúcar do sangue sob controle. Isso ocorre porque as fibras retardam a absorção do açúcar, evitando picos dessa substância no sangue

Família grande!

A família dessa fruta é uma das maiores que existem, com cerca de 760 espécies. No Brasil, as mais comuns e consumidas são a seca (frutos grandes de até 15 quilos), a baianinha (frutos pequenos de casca rajada), a carioca (de formato globular e pele lisa) e a japonesa ou cabotian (com gomos, como a moranga, mas de casca verde-escura).

Eu tenho a força!

Os músculos também são beneficiados pelo consumo de abóbora, por causa da sua boa quantidade de potássio. Apenas 100 gramas do alimento garantem 11% da ingestão diária recomendada desse mineral.

O potássio tem importante papel na atividade muscular, além de atuar na transmissão nervosa, ter efeito anti-hipertensivo, possuir ação protetora contra danos cardiovasculares e contribuir na contração dos músculos do coração.

Razões mais do que suficientes para incluir o fruto no prato, certo? De acordo com a Pesquisa de Orçamento Familiar do IBGE de 2004, o consumo per capita de abóbora no Brasil aumentou de 1,4 quilo para 4,6 quilos, entre 2002 e 2003. E o melhor: como é um alimento de fácil digestão, não possui contraindicações e pode ser consumido por qualquer pessoa. Aproveite!

Por Lúcia Nascimento

Fotos e produção Diego Rousseaux

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