Abuso de tranquilizantes e o risco de Alzheimer

Abuso de tranquilizantes e o risco de Alzheimer

Atualizado: Sexta-feira, 30 Setembro de 2011 as 8:20

Segundo dados de um estudo desenvolvido na Universidade de Bordeaux (França), o consumo crônico de benzodiazepinas (BZD) - medicamento tranquilizante - aumenta os riscos de Alzheimer.

O estudo foi realizado com 3.777 indivíduos de 65 anos ou mais que tomaram BZD por um período de dois a dez anos. O risco de Alzheimer entre aqueles que tomaram a benzodiazepina por mais tempo aumentou entre 20% e 50%. A forma como os BZD atuam no cérebro para aumentar este risco de demência ainda não foi descoberta.

Os pesquisadores afirmam que as autoridades precisam reagir e levar em conta que o consumo de tranquilizantes e soníferos entre idosos é crônico e, muitas vezes, a prescrição desse medicamento é pouco direcionada. Para os estudiosos, a ideia é reduzir ao máximo a prescrição desse tipo de remédio para idosos acima dos 65 anos.

Esclarecemos seis dúvidas sobre a Doença de Alzheimer

Entre os muitos causadores de demência, o Mal de Alzheimer se destaca, sendo uma doença popularmente conhecida. Algumas informações, como o diagnóstico complexo e o tratamento multidisciplinar que os pacientes exigem, muitas vezes, passam batidas.

Confira, a seguir, seis questões que desvendam detalhes curiosos envolvidos no mal. Na lista abaixo, o neurologista Antonio Galvão, do Hospital Nove de Julho, esclarece quais são os diferentes níveis da doença, como funciona o tratamento com a participação de animais e como descobrir se você é vítima da Doença de Alzheimer.

1- O Mal de Alzheimer apresenta diferentes níveis?

A Doença de Alzheimer se divide em três fases: inicial, intermediária e tardia, e tem progressão gradual. Na maioria dos casos, a fase inicial é a que mais apresenta variações de sintomas.

2- Como é a abordagem do tratamento que envolve animais?

Existem muitas referências à chamada pet therapy. Com ela, são notadas melhoras comportamentais em pacientes com Doença de Alzheimer. Vale lembrar, entretanto, que a terapia com animais parece ser benéfica para diversas outras condições, como crianças com deficiência mental, depressão e psicóticos. Portanto, a terapia não é tratamento exclusivo aos pacientes com demência. De uma forma geral, é importante que o paciente com DA seja estimulado a desenvolver atividades gratificantes do ponto de vista emocional, baseadas em suas preferências e convicções prévias à doença.

3- Este tipo de tratamento é eficaz em todos os casos ou a indicação é variável?

As preferências pessoais dos pacientes devem ser levadas em conta para qualquer tipo de terapia de distração e sociabilização.

4- O próprio paciente é capaz de reconhecer os primeiros sinais da doença ou check-ups regulares são fundamentais para isso?

Geralmente, o paciente com Déficit ou Comprometimento Cognitivo Leve (DCL) nota suas deficiências de memória, mas, muitas vezes, é a família que o incentiva a procurar um médico. Já os pacientes com Doença de Alzheimer perdem o senso crítico sobre sua condição mental e, quase na totalidade dos casos, são levados ao médico por seus familiares. É recomendado que o paciente com Doença de Alzheimer tenha um cuidador fixo, com quem estabeleça relações de respeito e amizade. O cuidador pode ser um familiar, ou não. Mas, é fundamental que seja habilitado a exercer estratégias de distração e exercícios para melhorar o comportamento do paciente. Mais um ponto importante a ser lembrado é que os problemas comportamentais da doença podem ser agravados por alterações no ambiente em que o paciente vive, como moradia ou internação hospitalar, ou ainda, por crises e conflitos familiares.

5- O mal pode ser identificado em um check-up comum ou a partir de determinada idade exames específicos são aconselháveis?

Antes das manifestações iniciais da doença, não há exame capaz de detectar a doença. Além disso, mesmo com a DA instalada, o diagnóstico clínico é fundamental. Não são aconselhados exames específicos antes do início dos sintomas, nem mesmo testes genéticos.

6- O Mal de Alzheimer acomete mais homens ou mulheres?

A DA acomete mais as mulheres. Provavelmente isto reflete a maior longevidade do sexo feminino sobre o masculino, já que a incidência da doença aumenta com a idade.

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