Ações podem combater obesidade infanto-juvenil

Ações podem combater obesidade infanto-juvenil

Atualizado: Quarta-feira, 26 Março de 2008 as 12

Restringir a propaganda de alimentos muito calóricos em programas infantis; reduzir impostos e estimular a produção de alimentos saudáveis; informar melhor sobre o teor alimentar em rótulos e embalagens; educar a população sobre hábitos saudáveis; e utilizar escolas e outros espaços públicos para promover atividades físicas estão entre as idéias apresentadas para combater obesidade infanto-juvenil.

A "epidemia" de obesidade entre crianças e jovens já chegou ao Brasil e, segundo especialistas, pode ser atribuída, em grande parte, à falta de regulação sobre os anúncios de doces, pães, biscoitos, refrigerantes e sucos adocicados e que são normalmente anunciados na programação infantil da TV. Um estudo publicado pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, SBEM, mostra que há 30 anos o índice de crianças no Brasil com obesidade era de 3% e hoje chega a 15% com excesso de peso.

Como forma de impedir que os feitos negativos da propaganda de alimentos obesogênicos e pouco saudáveis se perpetuem, representantes da comunidade científica, da sociedade civil e de órgãos de defesa do consumidor organizaram a II Jornada Propaganda de Alimentos e Obesidade na Infância e Adolescência, que será realizada nesta quarta-feira, 26 de março, na Unifesp.

Além de discutir o tema a fundo e conscientizar pai, escolas, publicitários e indústrias sobre os riscos da situação, as instituições organizadoras propõem cinco ações estratégicas capazes de combater o problema e promover uma vida saudável:

Incentivos ao consumo de alimentos saudáveis

Uma das metas é desestimular a compra de alimentos com altos teores de gorduras trans, gorduras saturadas, sal e açúcar com recursos de programas sociais como os da merenda escolar, o programa bolsa família e o programa de alimentação do trabalhador. Outra idéia é, simultaneamente, isentar de impostos os produtores e distribuidores de frutas, legumes e verduras, visando facilitar o acesso da população a esses alimentos, que são comprovadamente promotores de saúde e bem-estar;

Restrição à publicidade

Proibir publicidade de alimentos com altos teores de gorduras trans, gorduras saturadas, sal e açúcar que sejam dirigidas a crianças;

Informação

Implementar um sistema de rotulagem nutricional que propicie informações diretas e simplificadas sobre os teores de gorduras trans, gorduras saturadas, sal e açúcar dos alimentos, de forma similar ao traffic light labelling, aplicado no Reino Unido. Criar, ao mesmo tempo, um dispositivo legal para que as redes de restaurantes apresentem nas embalagens as composições centesimais das refeições servidas, assim como para que os cardápios tragam as composições centesimais das refeições oferecidas;

Educação

Criar programas transversais de educação nutricional e estímulo à atividade física integrados aos currículos das escolas públicas e privadas, assim como distribuir informações sobre aspectos relacionados a estilo de vida saudável, por meio de um portal na Internet, material informativo e anúncios publicitários;

Espaços urbanos

Criar espaços públicos seguros para a prática de atividade física e esportes em quantidade suficiente para toda a população; ciclovias que estimulem o uso de bicicletas no transporte urbano de cidades de médio e grande portes. Também deveria ser estimulado o desenvolvimento de atividades de orientação nutricional, vigilância antropométrica e prática de atividades físicas nos horários regulares de funcionamento e nos finais de semana nas unidades de saúde, escolas, empresas, repartições públicas, igrejas e demais instituições com sedes adaptáveis para tais atividades.

Postado por: Claudia Moraes

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