Alergia ao glúten pede controle alimentar

Alergia ao glúten pede controle alimentar

Atualizado: Terça-feira, 1 Novembro de 2011 as 9:15

Já imaginou viver sem comer o pão quentinho todas as manhãs ou aquela lasanha de domingo? Muita gente abandonou as tradicionais refeições saborosas para adotar uma dieta sem glúten, proteína presente no trigo, aveia, centeio e cevada, para muitos especialistas, uma forma de emagrecer.

O que muita gente não sabe é que a restrição ao glúten no cardápio não surgiu para pessoas em busca do corpo perfeito, mas para tratar um problema de saúde ainda pouco conhecido: a doença celíaca, um tipo de intolerância ao componente que pode afetar a saúde, mas é facilmente controlada com dieta especial.

No Brasil, existe um portador de doença celíaca para cada 214 habitantes, segundo a Associação dos Celíacos do Brasil (Acelbra). Normalmente diagnosticada na fase adulta, ela se manifesta por predisposição genética. “Anemia, perda de peso, fraqueza, enxaqueca, fadiga e diarreia são sintomas comuns nos celíacos”, afirma Rosana Castelli Cândido, nutricionista do Hospital Celso Pierro da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas).

O consumo do glúten ainda danifica a estrutura do intestino delgado, impossibilitando a absorção de nutrientes. Por essa razão, pacientes ainda podem se queixar de dores abdominais, flatulência e aftas bucais. O quadro clínico apresentado ajuda no diagnóstico, mas pode ser necessário fazer exame endoscópico para confirmá-lo.

Dieta restritiva

Retirar o glúten da dieta controla o problema de saúde. Com isso, saem macarrão, cerveja, achocolatado e produtos com farinha. Assim, o prato do celíaco costuma ser rico em gorduras e proteínas e pobre em carboidratos.

Nos supermercados, a identificação de ausência de glúten já é informada na embalagem dos produtos. É importante consultar essa indicação antes da compra para não sofrer nenhum tipo de reação alérgica. Ainda assim, faltam produtos industrializados sem glúten no mercado. “No geral, eles são feitos sob encomenda”, revela Angélica Maurício, nutricionista e professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Angélica desenvolveu um bolo de cenoura isento de glúten, com aparência e sabor semelhante ao do alimento convencional. “Substituí a farinha de trigo por farinha de arroz e fécula de batata para dar consistência na massa e conseguir um produto similar ao tradicional”, diz A receita foi criada para sua tese de doutorado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Substituição

Saiba o que pode entrar e o que deve sair na dieta do celíaco:

Pode:   farinha de arroz, fubá, farinha e amido de milho, fécula e farinha de batata.

Não pode:   farinha de trigo, semolina, germe de trigo e aveia em flocos.

Pode:   sucos de frutas naturais, refrigerantes, chás, vinho, champanha e cafés com selo da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC). 

Não pode:   cerveja, vodca, bebidas com malte e cafés misturados com cevada.

Pode:   leite, leite condensado, cremes de leite, queijo, iogurte e requeijão.

Não pode:   leite achocolatado e queijos com cereais.

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