Alerta à Tuberculose: prevenção e diagnóstico

Alerta à Tuberculose: prevenção e diagnóstico

Atualizado: Quinta-feira, 31 Julho de 2008 as 12

Além do tratamento, que deve ser realizado corretamente e por no mínimo seis meses, o processo de erradicação da doença deve contar com um diagnóstico rápido e eficiente.

O Ministério da Saúde lançou neste mês de julho a Campanha de Combate à Tuberculose, doença que atinge cerca de nove milhões de pessoas em todo o mundo e é responsável pela morte de 1,6 milhão todos os anos. A ação prevê o diagnóstico precoce e o tratamento adequado da doença. Entre as metas está a redução do abandono do tratamento a menos de 5%, a detecção de 70% dos casos estimados, a cura de 85% dos casos notificados, a expansão da cobertura do tratamento supervisionado para os municípios prioritários e a oferta de teste anti-HIV para 100% dos adultos com tuberculose.

No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, a estimativa é que mais de 60 milhões de pessoas estejam infectadas pelo bacilo da doença. Cerca de 80 mil novos casos são registrados a cada ano. Segundo o Dr. Roberto Rodrigues Junior, pneumologista do Lavoisier Medicina Diagnóstica/ DASA (Diagnósticos da América S/A), o país tem registrado, anualmente, uma queda significativa no número de novos pacientes com tuberculose. Fato que se deve às ações efetivas da política nacional de combate à doença, que oferece até tratamento gratuito com fornecimento de medicamentos.

Além da inserção terapêutica, que deve ser realizada corretamente e por no mínimo seis meses, o processo de erradicação da doença deve contar com diagnóstico breve e eficiente, que pode ser por meio da detecção do bacilo no exame do escarro - um teste rápido que pode dar o diagnóstico em alguns minutos - ou de uma radiografia de tórax, que é capaz de demonstrar lesões no pulmão. "O controle da tuberculose é um caminho longo, que inclui ações do Governo, estudos e eficiência dos profissionais da saúde e a colaboração efetiva da população", conclui o Dr. Rodrigues.

A tuberculose é a sétima doença infecciosa em internação no Sistema Único de Saúde (SUS) e a quarta que mais mata. No mundo, a estimativa é que um terço da população esteja infectada pelo bacilo, sendo que 80% dos casos estão concentrados em 22 países em desenvolvimento, entre eles o Brasil.

A meta da Organização Mundial de Saúde é reduzir pela metade até 2015 o número de casos e mortes, com ações que estimulem e intensifiquem a execução de políticas nacionais de controle e tratamento da moléstia.

A doença

A transmissão da doença se dá por meio da inspiração do ar de uma pessoa infectada. Quando um portador de tuberculose tosse ou espirra, ou mesmo no próprio ato da respiração, ele dissemina no ar o bacilo, que é o responsável por infectar outras pessoas. Apesar de assustar pelos sintomas e pelo alto índice de mortes anuais, é uma doença que tem tratamento e pode ser erradicada novamente se houver o acompanhamento de autoridades e sociedade.

Outro aspecto importante é a potencial resistência do bacilo aos medicamentos que combatem a tuberculose. O fortalecimento do bacilo é responsável por cerca de 5% dos casos novos da doença, que passa a somente ser combatida com um tratamento muito mais prolongado e de alto custo.

Tuberculose x HIV

A Tuberculose já foi considerada uma doença de países em desenvolvimento, mas com a epidemia de HIV ressurgiu com força total em nações consideradas de primeiro mundo. Estima-se que 1/3 das pessoas com HIV positivo têm, ou já tiveram, tuberculose. Juntas, essas doenças formam uma combinação letal, uma vez que as pessoas soropositivas possuem suas defesas imunológicas enfraquecidas, o que aumenta as chances de seus portadores serem infectados com o bacilo da tuberculose. Hoje, a doença é a principal causa de morte entre as pessoas HIV positivas, sendo a causa de 50% das mortes nesses pacientes, com base em dados da Organização Mundial de Saúde (OMS).  

Postado por: Claudia Moraes

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