Amizade pode "mascarar" injustiça

Amizade pode "mascarar" injustiça

Atualizado: Sexta-feira, 9 Dezembro de 2011 as 2:13

Uma pesquisada realizada na Universidade Mackenzie mostrou que, ao fazer uma decisão de negócios, não percebemos que há injustiça se a proposta partir de um amigo. O estudo mostrou as diferenças cerebrais quando a mesma sugestão é feita por um desconhecido e por uma pessoa próxima. O artigo foi publicado na revista The Journal of Neuroscience. 

O trabalho foi liderado pelo professor Paulo Sérgio Boggio e realizado durante o mestrado da psicóloga Camila Campanha. O estudo contou com bolsa da FAPESP (Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo).

O objetivo era estudar o papel da confiança na hora da decisão e suas bases neurobiológicas. Para desenvolver o estudo, a pesquisadora se baseou na teoria dos jogos, que estuda situações estratégicas nas quais jogadores escolhem diferentes ações na tentativa de melhorar seu retorno. 

Dois grupos, de pessoas entre 18 a 25 anos, foram colocados em ambientes diferentes. Um dos grupos tinha que avaliar propostas econômicas feitas por amigos, classificando-as em justas e injustas. O segundo grupo, as propostas que teriam sido feitas por desconhecidos. 

Embora a quantidade de propostas justas e injustas fosse a mesma para os dois grupos, a percepção da injustiça foi diferente. “Do ponto de vista comportamental, observamos que as pessoas rejeitaram muito mais as propostas injustas do desconhecido do que as oferecidas pelo amigo – nas quais o amigo sairia ganhando mais. Além disso, essas pessoas pontuaram os amigos como mais justos do que os desconhecidos”, explica a psicóloga. 

O trabalho também registrou, durante esse experimento, a atividade eletroencefalográfica dos participantes. Quando o participante avaliava uma proposta desvantajosa feita por um amigo, a parte do cérebro ativada não estava relacionada à raiva, como era esperado. “A expectativa era que os dados seriam negativos conforme se recebessem propostas injustas do amigo. No entanto, os participantes não perceberam essa injustiça”, disse Campanhã. 

O estudo foi realizado em colaboração com os pesquisadores do Istituto Neurologico “Carlo Besta (Itália) e Universidade Harvard (EUA). 

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