Anvisa quer limitar número de cirurgias com câmeras por causa de novo tipo de infecção

Anvisa quer limitar número de cirurgias com câmeras por causa de novo tipo de infecção

Atualizado: Segunda-feira, 18 Agosto de 2008 as 12

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) quer limitar o número de equipamentos e de procedimentos cirúrgicos diários, especialmente os que usam pequenas câmeras de vídeo que são introduzidas no paciente.

A medida deve ser adotada em todos os serviços de saúde do país para reduzir o número de infecções pós-cirúrgicas por Micobactéria de Crescimento Rápido (MCR). Esse tipo de bactéria está relacionada a problemas na limpeza dos instrumentos e aparelhos utilizados em cirurgias.

A Anvisa informa que, ao fiscalizar os serviços de saúde, descobriu que essa aparelhagem vinha sendo apenas desinfetada - procedimento que dura em torno de 30 minutos - e não esterilizada - procedimento recomendado e que dura cerca de 10 horas.

"O que percebemos é que onde tem sido aplicado procedimentos de esterilização, de forma correta e completa, não há problemas. E onde ocorreram casos e o serviço de saúde passou a adotar os procedimentos de esterilização não houve reincidência", explica a diretora-adjunta da Anvisa, Beatriz Macdowell Soares.

Com a limitação do número de cirurgias e de aparelhos adquiridos pelo serviço de saúde, a agência espera acabar com a falta de tempo para a esterilização. Desde 2003, já ocorreram 2025 casos de infecções por MCR (existem mais três em investigação atualmente). Em 72% dos casos, a bactéria se desenvolveu após cirurgias abdominais, videolaparoscopia, redução de duodeno e retirada de lipomas. Sempre em procedimentos que utilizam câmeras de vídeo ou aparelhagem similar, mas não há registro de casos provocados por exames e procedimentos de diagnóstico.

Recentemente, o governo do Espírito Santo proibiu temporariamente que as clínicas e hospitais do estado realizassem cirurgias de lipoaspiração. A medida foi tomada porque ocorreram os primeiros casos de infecção por esse tipo de bactéria no estado nesse tipo de procedimento. Mas as lipoaspirações foram responsáveis até hoje por apenas 3% dos casos de infecção por MCR.

Em nota técnica, a Anvisa alerta que esse tipo de infecção se configura uma doença emergente, "sem registros anteriores aqui e em outros países, nessa proporção" e que a situação é grave em quase todos os estados do país.

"A Micobactéria tem crescimento rápido, mas pode se manifestar em até dois anos. Elas podem causar grânulos que podem provocar a necessidade de nova cirurgia para a retirada", explica Beatriz Macdowell. "Os profissionais de saúde devem alertar o paciente para os riscos e avaliar a real necessidade de indicação da cirurgia", completa.

A Anvisa também sugere que os serviços de saúde que utilizem outros produtos para esterilizar os equipamentos e não mais o glutaraldeído 2% (mais utilizado atualmente), porque a bactéria tem demonstrado resistência ao produto.

*Imagem ilustrativa.

Postado por: Claudia Moraes

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