Aparelho identifica quantidade de benzeno em refrigerante

Aparelho identifica quantidade de benzeno em refrigerante

Atualizado: Quinta-feira, 6 Agosto de 2009 as 12

Em maio deste ano, a associação de defesa do consumidor Pro Teste denunciou que alguns refrigerantes analisados apresentavam em sua formulação níveis inaceitáveis de benzeno, substância considerada cancerígena. De lá para cá, nem os órgãos competentes pela fiscalização, nem as empresas tomaram providência. O bom exemplo, entretanto, vem de uma tradicional empresa capixaba, a Refrigerantes Coroa, que, juntamente com a Tommasi Analítica, laboratório especializado em análise alimentar com sede em Vila Velha, desenvolve pesquisas para substituir os elementos antioxidantes e conservantes, formadores do benzeno, em seus refrigerantes.

Ainda em caráter experimental, a iniciativa revela uma atitude pró-ativa que viabiliza a implantação de uma gestão responsável com a saúde do consumidor. Os testes estão sendo realizados e substituem o benzoato de sódio e o ácido ascórbico. Esses elementos, se combinados e expostos ao calor e à iluminação, dão origem ao benzeno. Não existe um valor definido de benzeno para refrigerantes, mas, utilizando-se a legislação de água para consumo humano, a quantidade aceitada é de cinco partes por bilhão. Durante as pesquisas, os técnicos do Tommasi Analítica conseguiram obter um valor reduzido na concentração desses níveis nas bebidas, chegando-se a uma parte por bilhão.

Os testes para quantificação do benzeno presente são feitos com um aparelho importado dos Estados Unidos. Ele consiste em um detector de massas que permite encontrar substâncias em baixa concentração nos alimentos, informação que os outros métodos e equipamentos não determinam de forma precisa. O bioquímico e doutor em Ciência de Alimentos, Rodrigo Scherer, que atua no Tommasi Analítica, explica que a aplicação da aparelhagem é recente e revolucionou a área de análise de alimentos. "Muitos compostos que antes não eram encontrados em alimentos por falta de ferramentas analíticas hoje podem ser quantificados e, em função disso, novos limites máximos de certas substâncias nocivas foram estabelecidos pelos órgãos mundiais de saúde", cita.

O aparelho possui um campo de análise amplo. Água, fármacos, vitaminas, conservantes, aditivos diversos, antioxidantes, resíduos de agrotóxicos e antibióticos, tudo pode ser avaliado. O equipamento aponta detalhadamente a composição de nutrientes, micronutrientes, adulterações e fraudes, contaminantes e aditivos.

Postado por: Felipe Pinheiro

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