Artrite reumatoide causa dores intensas e atrapalha a vida das pessoas

Artrite reumatoide causa dores intensas e atrapalha a vida das pessoas

Atualizado: Quinta-feira, 2 Setembro de 2010 as 8:57

De acordo com um estudo apresentado por Paul Emery, professor de Reumatologia da Universidade de Leeds, no Reino Unido, durante o Congresso Anual da Liga Européia Contra o Reumatismo, cerca de 72% das mulheres diagnosticadas com artrite reumatoide sofrem com dores diárias, apesar do fato de 75% delas receberem medicamentos para alívio da dor. Os dados coletados por Emery abrangem mulheres de sete países: Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Espanha, Estados Unidos e Canadá.

Durante a pesquisa, 27.459 mulheres com idades entre 25 e 65 anos (média de 46 anos) foram recrutadas através de um painel de pesquisas online, dos quais 1.958 foram escolhidas para análise do questionário preenchido, entre 30 de julho e 31 de agosto de 2009. Dentro desta amostragem, 75% tinham sido diagnosticadas com artrite reumatóide há mais de um ano.

A pesquisa evidenciou também o impacto emocional, social e físico da artrite reumatoide na vida destas mulheres. As participantes do estudo relataram que sofrem muito com a doença. Além das dores físicas, foram relatados sentimentos de distanciamento e isolamento. A doença afeta também as relações íntimas: 40% das mulheres solteiras afirmaram que é mais difícil encontrar um parceiro; 22% das entrevistadas divorciadas ou separadas afirmaram que de alguma forma, a artrite reumatóide teve um papel na sua decisão em separar-se de seu parceiro; 68% das mulheres com artrite reumatóide relatou esconder sua dor dos mais próximos e; 67% disseram que estão constantemente à procura de novos tratamentos para amenizar ou acabar com a dor que sentem.

Dados confirmam que a dor física é questão primordial para as mulheres com artrite reumatoide, porém a doença as atinge mais profundamente, afetando seu bem-estar físico, social e emocional. O trabalho destaca a complexidade do tratamento destas pacientes. É um processo que vai além do controle dos sintomas ou do alívio da dor.

A adoção de estratégias de tratamento para reduzir a dor, restabelecer a produtividade no trabalho e para gestão do impacto social da artrite reumatoide é de grande importância no manejo clínico desses pacientes. O estudo aprofundado sobre o impacto negativo da doença e da dor sobre a produtividade laboral das entrevistadas revelou que 71% delas se consideravam menos produtivas por causa da artrite reumatoide. Além disso, em longo prazo, a pesquisa revelou os impactos da artrite reumatóide sobre a vida profissional destas mulheres: 23% das entrevistadas pararam de trabalhar e 17% informaram uma redução na jornada de trabalho.

Família e amigos também sofrem

Outro estudo apresentado, durante o Eular 2010, por Julie Taylor, da Universidade de Qest England, em Bristol, Reino Unido, destacou o sofrimento psíquico de familiares e amigos de pacientes com artrite reumatóide. Taylor e sua equipe de pesquisadores entrevistaram familiares de pacientes com a doença, visando avaliar seus sentimentos no momento em que seus familiares foram diagnosticados, bem como a forma como eles conviveram com o diagnóstico, com o passar do tempo. Após a análise dos dados, os pesquisadores relataram que os familiares de pacientes com artrite reumatóide relataram os seguintes problemas:

Emocionais: de uma maneira geral, os familiares expressaram uma tristeza imensa e uma perda de significado "no conceito de futuro", tanto em relação a si mesmos, quanto em relação ao familiar doente;

De adaptação: vários entrevistados disseram esperar uma cura para a doença. Mas, após um tempo maior de diagnóstico da doença, os familiares reconheceram que a pessoa afetada, e atém mesmo eles, aceitaram conviver com a artrite, durante toda a vida do paciente;

De enfrentamento: os familiares relataram sentimentos de rejeição, desamparo e ocultação, tanto da condição de saúde do familiar doente, quanto dos impactos que a doença provocou ao relacionamento familiar;

De falta de apoio e informação: a maioria dos entrevistados revelou-se relutante em participar de um grupo de apoio específico sobre a doença, apesar de reconhecerem sua importância.

Os resultados desta outra pesquisa servem de alerta para os profissionais de saúde. Apenas uma equipe multidisciplinar de atendimento é capaz de suprir todas as necessidades do paciente com artrite reumatoide e sua família.

O diagnóstico das doenças reumáticas pode ter um impacto muito negativo na vida familiar. Muitas associações que lidam com o tema, como a inglesa Arthritis Care (www.arthritiscare.org.uk) e a portuguesa ANDAR (www.andar-reuma.pt) realizam estudos com os familiares onde são relatados comumente sentimentos de desesperança e de descrédito no futuro.

Geralmente, após o diagnóstico da doença, a família não só tem de aprender novas habilidades para prestar cuidados físicos ao paciente, mas também se vê obrigada a ajustar atitudes, emoções, estilo de vida e rotina.

Essas associações e grupo de apoios têm papel relevante no tratamento da artrite reumatoide, pois oferecer apoio e suporte à família do doente crônico é tão importante quanto tratar este paciente. Esta atenção à família também é uma das vertentes do tratamento. Um ambiente familiar mais harmonioso favorece muito o tratamento e o controle da doença crônica.

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