As dúvidas mais comuns sobre HPV

As dúvidas mais comuns sobre HPV

Atualizado: Terça-feira, 4 Outubro de 2011 as 10:56

Muitas mulheres confundem o HPV, sigla em inglês para Papiloma Vírus Humano, com o câncer de colo de útero. Tanto medo, no entanto, tem fundamento. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), de todas as mulheres sexualmente ativas, estima-se de que 50 a 80% já foram ou serão infectadas pelo HPV.

No entanto, isso não significa que todas elas possam vir a desenvolver o câncer de colo de útero, de acordo com o Dr. Luiz Ferraz de Sampaio, professor da Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP). Ele explica que a associação do HPV às lesões cancerígenas se deve ao fato de que o DNA do vírus está presente em, ao menos, 95% dos casos, mas isoladamente ele não pode ser culpado. “Há mais de 200 tipos e subtipos do Papiloma Vírus Humano identificados até hoje. Desses, cerca de 40 tipos oferecem risco ao trato anogenital, mas nem todos são cancerígenos. É preciso uma combinação de fatores para que a mulher apresente essa complicação”, explica.

Para esclarecer todas as suas dúvidas que rondam a menta das mulheres, o especial Saúde para Elas preparou um guia com respostas às perguntas mais frequentes sobre o HPV.

O que é o HPV?

O Papiloma Vírus Humano é um tipo de vírus que ataca células epiteliais e causa lesão em mucosas, como boca, vagina, vulva, ânus e pele, entre outros.

Quais são os tipos de HPV?

Existem mais de 200 tipos de HPV, sendo que somente os mais importantes na associação com o câncer são 16, 18, 31, 33, 35, 45 e 58. Os tipos 6 e 11 também são muito relacionados aos casos de verrugas anogenitais.

Qual a relação do vírus com o câncer de colo de útero?

O colo do útero é revestido de tecido epitelial e, portanto, passível de ser atacado pelo vírus. A associação comumente feita por muitas mulheres se deve ao fato de que, em 95% dos casos de câncer de útero, foram encontrados traços do DNA do HPV nas células cancerígenas.

Quais fatores podem aumentar o risco de desenvolvimento de câncer?

A ocorrência de um HPV 16 ou 18, os de maior risco cancerígeno, ainda precisa estar aliada a outros fatores para que possa evoluir para um câncer de colo de útero. O tabagismo, o número elevado de gestações, a infecção por HIV ou uma DST, o uso de contraceptivos orais e pacientes tratadas com imunossupressores estão no grupo de pacientes de alto risco.

Como os HPV são contraídos?

Os HPV vaginais são contraídos por meio de relação sexual sem preservativo ou por meio de contato direto com a pele infectada.

Quais são os tipos de infecção pelo HPV?

Os condilomas acuminados, popularmente conhecidos como crista de galo ou verrugas genitais, são um tipo de infecção frequente em mulheres com HPV. Eles acometem a vulva, o períneo, o ânus e o colo do útero, dando ao tecido um aspecto áspero como uma proliferação de verrugas. Além dos condilomas, existem as lesões pré-neoplásicas uterinas e o câncer. A pré-neoplasia é o crescimento anormal e incontrolado de tecido dentro do útero. De todas as complicações possíveis, as lesões subclínicas são as mais perigosas, pois são praticamente impossíveis de se detectar a olho nu, e são elas que, em geral, evoluem para um estágio cancerígeno.

Como é feito o diagnóstico?

Em casos de lesões aparentes, o próprio quadro é um indicativo, mas regularmente os médicos recorrem à biópsia. Nos casos de lesões subclínicas, o Papanicolau de colo uterino, a vulvoscopia e colposcopia são os exames mais indicados.

Onde é possível realizar os exames preventivos de câncer de colo de útero?

O Sistema Único de Saúde (SUS) possui postos de saúde em todo o País e realiza os exames gratuitamente.

Grávidas correm mais riscos quando infectadas?

A situação de imunossupressão pela qual as mulheres passam durante a gravidez pode acelerar o desenvolvimento de alguma lesão, mas com relação à criança, o vírus não provoca má formação no feto, pois não atravessa membrana placentária. Apenas em casos muito raros pode acontecer a contaminação da laringe do bebê no momento do parto, que pode ser normal ou cesárea, de acordo com o médico que estiver acompanhando o caso.

Qual a ocorrência do HPV em mulheres?

Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que entre 50 e 80% das mulheres sexualmente ativas já contraiu ou vai contrair HPV, isso não significa que todas terão as complicações decorrentes do vírus.

Qual o tratamento para HPV?

Ainda não existe um medicamento para combater o vírus, porém o médico pode indicar procedimentos para tratar as lesões induzidas. As verrugas, por exemplo, podem ser queimadas com soluções cáusticas ou laser. Lesões pré-neoplásicas e câncer vão depender do estado em que a paciente se encontra para se determinar um tratamento. Em muitos casos, as feridas não causam incômodo e tendem a desaparecer sozinhas. É comum que retornem de tempos em tempos, mas o próprio organismo se mobiliza para controlar e neutralizar os efeitos do vírus.

Quais são as medidas profiláticas para se evitar o HPV?

Utilizar o preservativo em todas as relações sexuais ainda é o método mais recomendado, apesar de já existir no mercado uma vacina anti-HPV. Consultas regulares ao ginecologista e a realização dos exames preventivos ajudam a controlar os efeitos no caso de uma eventual exposição.

A vacina realmente funciona?

Existem no mercado duas vacinas anti-HPV igualmente eficazes e recomendadas: a CERVARIX (GSK) e a GARDASIL (MSD), que contêm a proteína L1 do capsídeo viral, partículas análogas aos vírus 16 e 18. A vacina é aplicada em três doses, a primeira, depois de um mês, a segunda e a última, depois de seis meses. A vacina não tem contraindicações e, inclusive, pode ser aplicada em conjunto com outras vacinas.

De todas as medidas existentes, o uso do preservativo ainda é o mais recomendado, pois evita a transmissão do HPV, HIV e DST, seu uso é eficaz e não tem contraindicações.

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