As mulheres estão estressadas?

As mulheres estão estressadas?

Atualizado: Sexta-feira, 16 Setembro de 2011 as 11:13

A rica mina de talentos femininos da Índia teve um papel crucial em ajudar o país a se tornar uma das economias de crescimento mais rápido do mundo.

Recentemente, porém, esse dínamo tem mostrado sinais de desgaste. Segundo o'Women of Tomorrow’, uma recente pesquisa da Nielsen com 6.500 mulheres de 21 países diferentes, as indianas são hoje as mais estressadas do mundo. Uma esmagadora maioria de 87 por cento das mulheres indianas afirma se sentir estressada na maior parte do tempo.

Sem muita surpresa, o maior nível de estresse aparece entre mulheres de 25 a 55 anos – aquelas que estão tentando equilibrar carreiras exigentes com obrigações em casa. Descobrimos algumas dessas questões numa pesquisa para nosso próximo livro, 'Winning the War for Talent in Emerging Markets: Why Women Are the Solution’.

Estruturas familiares tradicionais exercem um efeito desproporcional sobre as mulheres indianas, mesmo nas que são urbanas, instruídas em curso superior – e especialmente naquelas que são as primeiras de sua família a ter uma carreira.

Muitas mulheres indianas enfrentam exigências, da parte de parentes, para aceitar o paradigma da filha, esposa e nora 'ideais’. Muitas vezes, essas mulheres sentem a necessidade de compensar excessivamente no trabalho para combater preconceitos arraigados sobre seu comprometimento ou competência. Essas questões combinadas geram graves ramificações para o crescimento econômico da Índia.

Mais de metade (55 por cento) das mulheres indianas que entrevistamos sofreu, no ambiente de trabalho, um preconceito forte o bastante para fazê-las pensar em voltar atrás ou desistir de tudo.

Felizmente, algumas empresas indianas estão tomando medidas para ajudar essas mulheres. A Infosys, potência da tecnologia da informação com sede em Bangalore, oferece a Infosys Women’s Inclusivity Network. A IWIN torna a empresa um ambiente amigável às mulheres ajudando-as a lidar com os estresses que frequentemente as fazem abandonar o trabalho. Pesquisas mostraram que muitas das mulheres da Infosys se demitiram após o casamento.

Os números explodiram após o nascimento do primeiro filho e quase todas as mulheres saíram da empresa após o nascimento do segundo. Em resposta, a Infosys introduziu uma 'licença de cuidados infantis’ de um ano, que também dava às mulheres a opção de trabalhar meio período nos dois anos seguintes.

As mulheres são colaboradoras fundamentais para o crescimento da Índia. Aliviar os estresses que as impedem de atingir seu pleno potencial é uma forma inteligente de reter esses talentos. Manter as carreiras femininas nos trilhos pode não garantir o sucesso econômico progressivo, mas não fazer nada seguramente limita o progresso.

Sylvia Ann Hewlett é presidente do Center for Work-Life Policy e da Sylvia Ann Hewlett Associates. Ripa Rashid é vice-presidente executiva do Center for Work-Life Policy. Elas são coautoras do livro 'Winning the War for Talent in Emerging Markets’.

veja também