Associação diz que pessoas com doenças do sangue sofrem com atendimento precário

Associação diz que pessoas com doenças do sangue sofrem com atendimento precário

Atualizado: Segunda-feira, 8 Novembro de 2010 as 9:38

Os brasileiros com algum tipo de doença do sangue – como hemofilia, anemia falciforme e linfoma – enfrentam problemas que vão além da enfermidade, como o difícil acesso a medicamentos de alta qualidade e o despreparo de médicos no atendimento. A avaliação é do presidente da ABHH (Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia), Carmino Antônio de Souza.

Nesta quinta-feira (5), primeiro dia do Congresso Brasileiro de Hematologia e Hemoterapia (Hemo 2010), ele afirmou que o paciente mais maltratado no país é o portador de leucemia aguda, já que "ninguém quer tratar". Segundo Souza, o tratamento é longo, muito caro e o pagamento feito pelo SUS (Sistema Único de Saúde) aos profissionais é irrisório.

– É uma área onde o conhecimento técnico no Brasil é muito bom, mas a condição de tratamento é muito ruim.

Outra área problemática no Brasil, de acordo com a ABHH, é a dos linfomas, um grupo complexo que inclui mais de 60 tipos de doenças. Souza explicou que já existem medicamentos avançados para o tratamento. Mas o remédio, apesar de licenciado pelo governo, não chega ao paciente.

– O governo reluta e atrasa demais o desenvolvimento [do medicamento] no Brasil. Não há nenhuma perspectiva de que isso mude em um curto espaço de tempo.

O caso é o mesmo para portadores de mieloma múltiplo, um tipo de câncer que se desenvolve na medula óssea e que tem se manifestado de forma mais frequente com o envelhecimento da população brasileira.

– O tratamento é extremamente defasado em sua qualidade, apesar do conhecimento brasileiro e da disponibilidade de drogas no Brasil.

Dados da ABHH revelam que cerca de 40% da população mundial apresentam algum tipo de anemia, doença provocada por baixa quantidade de ferro no sangue. O diagnóstico e a orientação deveriam ser feitos no atendimento primário, uma vez que a maioria dos pacientes não precisa procurar um especialista. Mas, segundo Souza, não é isso que ocorre no Brasil.

– Um grande problema que temos ainda está ligado à orientação médica e à eficiência do sistema primário no encaminhamento precoce desses pacientes.

Alguns doentes demoram anos para serem encaminhados a hematologistas e, quando procuram os centros especializados, já estão com a saúde gravemente comprometida.

O Congresso Brasileiro de Hematologia e Hemoterapia (Hemo 2010) ocorre até segunda-feira (8) no Centro de Convenções Ulisses Guimarães, em Brasília. O evento é organizado pela ABHH e conta com a presença de conferencistas do Brasil e de países como a Dinamarca, os Estados Unidos, a França, o Uruguai, Canadá, a Alemanha, Itália, Espanha e de Portugal. Serão discutidos temas como anemias, transplante de medula óssea e questões relacionadas a políticas públicas das doenças do sangue.

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