Associação entre comprimento ao nascer e altura no início da adolescência

Associação entre comprimento ao nascer e altura no início da adolescência

Atualizado: Quarta-feira, 30 Abril de 2008 as 12

Pesquisas sobre estado nutricional costumam dar mais ênfase ao peso do que à altura. Esta, no entanto, também tem implicações na saúde. Alguns estudos sugerem que doenças respiratórias e do coração são causas de morte prematura principalmente entre os indivíduos mais baixos. Somam-se a isso evidências de que o tamanho do bebê ao nascer é reflexo de seu desenvolvimento intra-uterino e pode afetar a altura que o indivíduo terá no futuro. Para avaliar essas questões, a nutricionista Cora Araújo, doutora em saúde pública pela Fiocruz e professora da Universidade Federal de Pelotas, fez uma pesquisa com cerca de 4.500 meninos e meninas de Pelotas (RS) que foram medidos ao nascer e, mais tarde, aos 11 anos de idade.

Os resultados do trabalho foram publicados na edição de abril do periódico científico Cadernos de Saúde Pública da Fiocruz. "Relativamente poucos estudos exploraram os efeitos do tamanho ao nascer na altura do indivíduo mais tarde na vida", afirmam Cora e co-autores no artigo. Os pesquisadores encontraram associação entre o comprimento ao nascer e a altura no início da adolescência. Em outras palavras: em média, crianças com tamanho adequado no nascimento eram, ao completarem 11 anos, 3,4 quilos mais pesadas e 3,3 centímetros mais altas do que aquelas consideradas pequenas ao nascerem.

Comparando-se os bebês com os maiores e os menores comprimentos, verificou-se que estes dois grupos apresentavam uma diferença de 7,3 centímetros de altura quando atingiram os 11 anos. "Em resumo, nossas análises são consistentes com estudos conduzidos em diferentes lugares, mostrando uma associação bruta da altura com o peso ao nascer e, principalmente, com o comprimento ao nascer", diz o artigo.

A pesquisa também revelou que bebês pequenos no nascimento, em geral, pertenciam a famílias de baixa renda e tinham mães jovens, com pouca escolaridade, que fumaram durante a gravidez e que também apresentavam peso e altura menores. "Na literatura científica, o comprimento tem recebido bem menos atenção do que o peso no nascimento. Estudos mais aprofundados são necessários para avaliar as conseqüências de longo prazo de um comprimento pequeno ao nascer", recomendam os autores.

Postado por: Claudia Moraes

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