Atividades ligadas ao bem-estar cada vez mais se profissionalizando

Atividades ligadas ao bem-estar cada vez mais se profissionalizando

Atualizado: Sexta-feira, 14 Outubro de 2011 as 11:51

Abandonar a corporação da Policia Militar de São Paulo para assumir brocas, alicates e ser responsável pela   saúde de pés   alheios parecia, há onze anos, uma escolha estranha e pouco promissora. Beatris de Moura Rocha Sugai, entretanto, foi uma visionária.

Ao investir em cursos de   podologia , ela engordou o orçamento familiar e fez carreira em uma área que nasceu informal, mas ao longo do tempo, passou a exigir profissionalização, conhecimento específico e atualizado.

“É uma responsabilidade grande. Quem não sabe fazer, desconhece a   técnica , pode provocar até a amputação  dos pés de pacientes diabéticos, por exemplo. Antigamente, confundiam a função. Éramos uma espécie de pedicure mais cara. Nós tratamos os pés, não é um serviço estético.”

Hoje, Beatris é responsável por cuidar dos pés de mulheres de banqueiros, grandes empresários paulistanos e reúne mais de 50 clientes fixos em sua agenda semanal.

“Depois de sete anos como policial militar, decidi mudar de vida. Sempre quis trabalhar na   área de saúde . Pensei em enfermagem ou instrumentação, mas buscava algo que tivesse retorno mais rápido. Fiz cursos de podologia e em pouco tempo já estava oferecendo meus serviços em clínicas e prestando   atendimento   domiciliar.”

Atenta às novidades do mercado, ela investe anualmente em cursos e ferramentas modernas - tanto para deixar os pés livres de infecções ou unhas encravadas como para esterelizar os materiais com os quais trabalha. Sabe cuidar de pacientes diabéticos, e está habilitada para trabalhar em Unidades de Terapia Intensiva, as famosas UTIs, dentro dos hospitais – mas prefere manter-se como autônoma.

“Posso dizer que tenho o reconhecimento pelo meu trabalho. A demanda cresceu porque as pessoas estão mais preocupadas com a própria saúde, beleza, bem-estar e querem bons profissionais. Quem já teve um pé machucado por uma manicure sabe a importância de um trabalho bem feito.”

Nova commoditie?

Nos últimos 10 anos, o bem-estar deixou de ser apenas objetivo de vida e tornou-se grade curricular em faculdades particulares. Embora para os profissionais da área seja impossível definir quem veio primeiro – a procura exigiu capacitação ou a capacitação potencializou a procura – o investimento de grandes centros universitários privados é real e robusto.

No Senac e na Universidade Anhembi Morumbi, além de uma farta carta de cursos – de curta e longa duração – há réplicas de clínicas estéticas para que os alunos coloquem em prática o que aprenderam dentro das salas de aula.

Em 2008, a Anhembi Morumbi criou uma escola para oferecer quatro cursos de beleza – bacharelado de estética, reconhecido pelo Ministério da Educação, podologia, visagismo, tratamento capilar e maquiagem profissional. A novidade impôs profissionalização ao mercado.

Em muitas cidades brasileiras, o corte de cabelo e a tintura vendem mais do que pão francês. Pequenas garagens rapidamente se transformam em salões de beleza, com múltiplos serviços. A proposta, segundo Adriana Teixeira, coordenadora do curso de visagismo da instituição, é mudar esse cenário informal e pouco qualificado, por meio do acesso à educação.

Para Gabriela Abdul-Hak Gabor Fitre, coordenadora das áreas de saúde, bem-estar, meio ambiente e educação do Senac, o mercado caminha para abandonar o estigma de futilidade ligada ao mundo da estética.

“A formação desses profissionais mostra que saúde e bem-estar caminham juntos, e ambos exigem qualificação.”

O belo consumidor

Quem ganha com isso, garantem Adriana e Gabriela, é o consumidor. Os cursos contam com disciplinas de fundamentação biológica, anatomia, biologia celular e farmácia. “Os alunos aprendem não apenas a técnica, mas saem da faculdade com uma noção global e multidisciplinar.”

A bagagem teórica tende a diminuir o risco de erros nos procedimentos. A qualidade de vida dos pacientes internados em hospitais também cresce graças ao casamento entre medicina e bem-estar, acredita Gabriela.

"Colocamos anualmente no mercado profissionais que são absorvidos por clínicas médicas, de estética e hospitais de ponta."

“A área de assistência complementar tem alcançado um desenvolvimento espetacular durante as décadas. Massoterapia, reike, podologia e cromoterpaia despontam como tratamentos alternativos bastante procurados. A tendência é um aumento dess procura, acompanhado pelo reconhecimento dessas práticas", conclui a coordenadora do Senac.

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