Atletas fornecerão mais de 45 litros de xixi para testes antidoping

Atletas fornecerão mais de 45 litros de xixi para testes antidoping

Atualizado: Quarta-feira, 5 Maio de 2010 as 11:34

Uma verdadeira 'operação de guerra' será montada na Copa da África do Sul para verificar se os jogadores não estão usando substâncias proibidas no esporte.

Nesta terça-feira, dia 4, a multinacional norte-americana Agilent, que fornece os equipamentos para testes antidoping, apresentou em São Paulo as máquinas de última geração que irão receber o xixi dos atletas na África do Sul, capazes de identificar mais de 500 substâncias diferentes.

A empresa calcula que sejam feitos entre 500 e 700 testes, todos a partir da urina, recolhida em doses de pelo menos 90 mililitros após os jogos - o que dá pelo menos 45 litros de xixi a serem processados durante o Mundial.

"As substâncias proibidas estão mais concentradas na urina do que no sangue, pois já foram filtradas pelos rins", explica Renato Abreu, especialista em produtos da empresa norte-americana.

Um dos principais alvos dos exames são as drogas conhecidas como esteroides anabolizantes, como a nandrolona, utilizadas pelo esportistas para aumentar a massa e a força muscular. A tecnologia atual permite a detecção dessas substãncias se elas forem tomadas até 10 meses antes do teste.

Corrida contra o tempo

Na África do Sul, os exames serão feitos por um laboratório da cidade de Bloemfontein, na região central do país. Para realizar os testes, a instituição tem que passar pelo crivo da Agência Mundial Antidoping (Wada), entidade responsável por estabelecer quais são as substâncias proibidas aos esportistas.

Os técnicos de Bloemfontein também terão que atender a critérios rígidos da Fifa: os exames terão que ser feitos em até 24 horas depois que as amostras de urina entrarem no laboratório. Segundo Abreu, esse tempo curto é importante porque reações químicas ocorrem dentro da urina mesmo que ela esteja congelada, e isso pode prejudicar a qualidade dos testes.

'Gato e rato'

Enquanto alguns profissionais correm para inventar novas drogas que melhoraram o desempenho esportivo de forma desonesta, os laboratórios se esforçam para desenvolver exames cada vez mais precisos.

"De 2006 para cá as máquinas estão cinco vezes mais sensíveis. Um exame que daria negativo na Copa passada pode dar positivo nesta", afirma Abreu.

Por: Iberê Thenório

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