Avaliação do sistema público de saúde do DF é negativa para mais da metade dos usuários

Avaliação do sistema público de saúde do DF é negativa para mais da metade dos usuários

Atualizado: Terça-feira, 21 Julho de 2009 as 12

Mais da metade (52,8%) dos usuários do sistema público de saúde do Distrito Federal avaliam o atendimento à população de forma negativa. Apenas 19% consideram a situação positiva e 28%, regular. É o que aponta uma pesquisa divulgada ontem, 20 de julho, pelo Sindicato dos Médicos do DF.

A partir de uma amostra de 400 entrevistados, com renda média de um a dois salários mínimos, o estudo realizado pelo Instituto Vox Populi aponta como os principais problemas do sistema de saúde a demora no atendimento, a falta de médicos e de estrutura adequada.

Em média, o brasiliense espera mais de três horas para ser atendido em postos de saúde ou hospitais. A demora é ainda maior no serviço de urgência (cerca de três horas e meia) do que nas consultas previamente agendadas (mais de duas horas). Depois da consulta, outra dificuldade é prosseguir com o tratamento. Um em cada três pacientes não consegue obter da rede pública o medicamento prescrito pelo médico.

Outra deficiência revelada pela pesquisa é que a maioria não passa por uma triagem quando chega ao hospital. Segundo o presidente do sindicado, Gutemberg Fialho, esse serviço é essencial para dar agilidade ao atendimento e prioridade aos casos mais graves. Na avaliação de Fialho, a falta de investimento para recuperar a estrutura e contratar pessoal são os principais motivos para que o classifica como "situação crítica" do sistema de saúde do DF.

Apesar das dificuldades enfrentadas pelos usuários, 63% avalia positivamente o atendimento por parte dos médicos. Para 87,8% dos entrevistados, existem poucos médicos para atender à demanda. Na avaliação do sindicato, isso indica que os pacientes acreditam que o problema é estrutural.

"O paciente sabe com precisão de quem é a responsabilidade do caos que está acontecendo na saúde pública do Distrito Federal. O sistema se encontra numa situação crítica. Se não for aplicado um tratamento de choque ele vai a óbito", defendeu Fialho. De acordo com a pesquisa, para 61% dos entrevistados, a má situação da saúde pública é responsabilidade do governo do Distrito Federal.

Fialho destaca que não basta convocar concursos para contratar mais médicos se as condições salariais e de trabalho não forem melhoradas. Segundo ele, muitos profissionais contratados nos últimos concursos acabam largando a rede pública. Segundo o sindicato, a média salarial dos médicos do DF hoje é de R$ 3,6 mil por uma carga horária de 20 horas semanais.

"Isso tem sido reincidente: você faz o concurso e o médico ou não assume, ou assume e pouco tempo depois pede demissão. Não adianta lançar concursos nas condições atuais. Você tem condições de trabalho insalubres, falta de segurança, baixos salários, você faz com que esse profissional acabe saindo da rede", disse Gutemberg Fialho.

Em nota, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal informou que, nos últimos anos,  a rede pública foi vítima do "descaso, sucateamento e explosão populacional" que prejudicaram o atendimento.

A secretaria ressalta que já adotou uma série de medidas, entre elas a convocação, nos últimos dez meses, de quatro mil servidores e a modernização de equipamentos, como a compra de 55 aparelhos de raio X, nove tomógrafos e leitos próprios de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).  A nota diz ainda que "responde aos críticos com trabalho" e que não vai se "apequenar diante das dificuldades e da politicagem rasteira".

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