"Bafômetro" pode detectar tuberculose e câncer de pulmão

"Bafômetro" pode detectar tuberculose e câncer de pulmão

Atualizado: Terça-feira, 8 Novembro de 2011 as 12

Pesquisadores indianos dizem que um aparelho similar aos bafômetros pode detectar de forma imediata a tuberculose e até o câncer de pulmão. Isso seria possível já nos próximos anos.

Apelidado de "nariz eletrônico", o aparelho está sendo desenvolvido por um grupo de pesquisadores indianos, que receberam nesta segunda-feira, em Nova Déli, quase R$ 1,75 milhão (US$ 1 milhão) da Grand Challenges Canada (GCC) e da Fundação Bill e Melissa Gates.

Essa quantia irá subsidiar o desenvolvimento de um protótipo da invenção. O pesquisador indiano Ranjan Nanda diz que “o nariz eletrônico proporcionará um método não invasivo e fácil de ser utilizado”.

– Ele poderá diagnosticar a tuberculose sem necessidade de múltiplas visitas às clínicas. E será um método acessível para os pacientes de países nos quais a tuberculose é endêmica.

O aparelho, que estaria pronto a partir de outubro de 2013 para sua produção em massa, também seria útil para detectar outras doenças pulmonares, como o câncer de pulmão.

– O que é mais importante no nariz eletrônico é que, com uma pequena modificação no sensor, também podemos utilizá-lo para detectar outras doenças pulmonares, como o câncer de pulmão.

O presidente da Grand Challenges Canada, o médico Peter Singer, diz que, se o aparelho for utilizado apenas para a detecção de tuberculose, seu impacto nos países em desenvolvimento será enorme.

– É uma ideia genial de muito baixo custo. A tuberculose é um grande problema, que resulta na morte de 1,7 milhões de pessoas no mundo todo, principalmente em países em desenvolvimento. Depois da Aids, essa é a doença mortal infecciosa mais grave que existe.

A tuberculose foi praticamente erradicada nos países desenvolvidos, porém ainda está presente na África Subsaariana, em regiões da Ásia e na América Latina. O nariz eletrônico faria com que a doença fosse detectada mais rápido, permitindo que o tratamento fosse iniciado mais cedo, fato que poderia salvar 400 mil vidas por ano, segundo os dados da GCC, uma instituição financiada pelo governo canadense.

O aparelho desenvolvido por Nanda e sua equipe está baseado na existência de um grupo determinado de moléculas nas pessoas infectadas com tuberculose, uma doença causada por vários tipos de microbactérias, que podem ser por meio da respiração e da saliva.

Nanda explica que as pessoas infectadas com tuberculose possuem uma série de moléculas especificas.

– Quando uma pessoa sopra no aparelho, as moléculas, os biomarcadores específicos à tuberculose, interagem com o sensor.

A equipe indiana do Centro para Engenharia Genética e Biotecnologia de Nova Deli, dirigido por Nanda e Virander Chauhan, foi o primeiro a identificar essas moléculas características da tuberculose pulmonar, o que permitiu o desenvolvimento do aparelho.

A ideia da equipe de Nanda não é nova. Há poucos meses, a multinacional alemã Siemmens anunciou que desenvolveu um aparelho similar para detectar moléculas de óxido nítrico que alertam sobre ataques de asma.

Mas isso, ao contrário do que se imaginaria, deixou o médico otimista em relação à própria sua pesquisa.

– A técnica foi provada com sucesso em outras doenças pulmonares e temos bastante esperança de que a tuberculose também possa ser identificada com esses marcadores. E se a descoberta provar que funciona com a tuberculose, definitivamente também poderá ser aplicada para identificar o câncer de pulmão.

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