Benefícios da drenagem linfática após a plástica

Benefícios da drenagem linfática após a plástica

Atualizado: Quinta-feira, 3 Julho de 2008 as 12

A massagem, que foi desenvolvida, em 1932, pelo fisioterapeuta Emil Vodder, na Alemanha, pode ajudar o sistema linfático quando o organismo está passando por algum processo infeccioso ou inflamatório. É recomendada também quando o próprio sistema linfático está comprometido em seu funcionamento. Se a circulação da linfa estiver prejudicada por algum motivo, ela se acumulará, causando o inchaço e impedindo a limpeza adequada do organismo.

Portanto, toda vez que o corpo apresenta inchaço (edema) interno ou externo, a massagem linfática pode ser uma boa opção. O edema pode ser causado por deficiências circulatórias, traumas (acidentes) ou cirurgias, toxicoses e outros processos inflamatórios e infecciosos. "Um dos casos mais conhecidos da aplicação bem sucedida da drenagem linfática é no pós-operatório da cirurgia plástica, contribuindo para um retorno mais rápido da sensibilidade das áreas operadas", afirma o cirurgião plástico Ruben Penteado, diretor do Centro de Medicina Integrada.

Num lifting facial, por exemplo, o hematoma e o inchaço só melhoram com duas sessões semanais de drenagem linfática, sendo que a primeira pode ser feita a partir do quarto dia após a operação. Os movimentos da drenagem linfática auxiliam na cicatrização e na absorção de hematomas, diminuem a retenção de líquidos e ainda produzem o relaxamento corporal e mental do paciente.

Os benefícios da drenagem

Segundo a fisioterapeuta Milena Bassalobre, que integra o corpo clínico do Centro de Medicina Integrada, o que a massagem faz é ativar o sistema linfático, que fica logo abaixo da pele. Ele é formado por capilares, vasos e mais de 400 gânglios e tem como função principal transportar e absorver os líquidos que ficam nos espaços intracelulares - em caso de cirurgia, essa quantidade é muito maior por causa do rompimento dos vasos. "A drenagem é um fenômeno que ocorre naturalmente no organismo com os movimentos contínuos da respiração, das vísceras, da contração muscular e da pulsação das artérias. Só que, às vezes, esse processo fica um pouco lento e é necessário dar uma 'forcinha' extra por meio dessas manobras manuais. Para isso, a linfa - líquido incolor, viscoso e composto de água, substâncias orgânicas e inorgânicas e resíduos metabólicos - é levada com a ponta dos dedos em direção aos gânglios", esclarece a fisoterapeuta.

Durante a sessão de drenagem linfática, os gânglios são pressionados para que consigam bombear os líquidos retidos nos órgãos excretores para purificar a linfa e enriquecê-la com os linfócitos - que são as células de defesa. E, só então, ela é devolvida à corrente sangüínea. "Pelo fato de fazer o fluído 'caminhar', o corpo desincha, se fortalece contra as infecções, ativa a circulação nas pernas, diminuindo as dores e a sensação de peso. Há melhora também da oxigenação e da nutrição dos tecidos, resultando em pele, unhas e cabelos muito mais bonitos. Indiretamente, os toques ainda estimulam o funcionamento de alguns órgãos internos, especialmente do intestino", explica Milena Bassalobre.

Como é feita a drenagem

A sessão de drenagem linfática dura cerca de uma hora e deve ser feita de uma a duas vezes por semana, sempre com um intervalo mínimo de 24 horas. Antes da primeira sessão de massagem é preciso que o fisioterapeuta faça uma anamnese para verificar o aspecto da pele e a fragilidade dos tecidos.

A massagem começa pela parte dianteira das coxas em direção aos gânglios que ficam na região da virilha, os chamados inguinais. Somente quando essa área estiver descongestionada por completo, o especialista passa para a parte inferior de pernas e pés. Logo, depois, são massageados a região abaixo do umbigo, os braços, as mãos, o lado superior do abdômen, o peito, o rosto e o couro cabeludo. Por último, vêm a parte de trás das pernas e as costas. "Todos os movimentos devem ser feitos de forma bastante suave, contínua e harmônica, com movimentos de deslizamento sobre o trajeto dos vasos linfáticos e de compressão na região dos gânglios, especialmente os que se encontram nas axilas, no pescoço e na virilha", explica a fisioterapeuta do Centro de Medicina Integrada.

Para facilitar o trabalho das mãos e dos dedos, a maioria dos especialistas utiliza um óleo de massagem para ativar a circulação. Milena Bassalore também destaca que a drenagem linfática após a cirurgia plástica é um procedimento que deve ser realizado por fisioterapeutas. "É importante alertar os pacientes sobre esta exigência legal, que na verdade, respalda a saúde de quem vai se submeter ao procedimento. Não é recomendável fazer a drenagem linfática, após uma intervenção cirúrgica, em salões e clínicas de estética que não contem com profissionais habilitados", afirma a fisioterapeuta.

Nada de dor

A drenagem é uma massagem relaxante. Os especialistas são unânimes em afirmar que, ao menor sinal de dor, o paciente deve desconfiar que os movimentos estão sendo mal-executados - o que pode não trazer efeito algum ou, pior, gerar varizes, edema e/ou flacidez. O mesmo vale para o aparecimento de hematomas, que indicam que a pressão das mãos foi forte demais e acabou lesando os vasos linfáticos.

Contra-indicações

É importante lembrar que a drenagem linfática não é indicada para grávidas até o terceiro mês de gestação, pacientes operados sem encaminhamento do médico responsável, pessoas com trombose, tumores ou processos infecciosos ou inflamatórios graves. Já quem tem problemas renais ou pressão arterial descompassada deve consultar um especialista para obter liberação.

Postado por: Claudia Moraes

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