Biópsia embrionária: diagnóstico precoce de malformações

Biópsia embrionária: diagnóstico precoce de malformações

Atualizado: Terça-feira, 25 Outubro de 2011 as 2:07

Com as transformações do papel da mulher na sociedade, planos como o de se casar e ter filhos deixaram de ser prioridade na vida de mulheres com menos de 30 anos – que demonstram estar mais interessadas na aquisição de conhecimento, na ascensão profissional e na conquista da estabilidade financeira. O problema é que isso também aumenta o grau de dificuldade para engravidar de modo natural, assim como o risco de ter um bebê com algum tipo de malformação ou doença genética. É nesse ponto que a biópsia embrionária surge como um ‘socorro’ da ciência em direção aos casais mais maduros.

“A biópsia embrionária pode ser realizada a partir do terceiro dia de desenvolvimento do embrião, quando apresenta entre seis e oito células. Trata-se de um grande avanço quando comparada com a amniocentese – que analisa o líquido que envolve o feto quando a gestação já está entre 15 e 20 semanas. O principal objetivo desse exame é dar aos pais a chance iniciar uma gravidez sabendo que o bebê estará livre de doenças e defeitos congênitos”, diz Assumpto Iaconelli, diretor do Fertility – Centro de Fertilização Assistida, em São Paulo.

De acordo com o médico, enquanto as chances de uma jovem de 20 anos ter um bebê com Síndrome de Down é de uma em cada 1.500, essa proporção é radicalmente alterada para uma em cada 250 aos 35 anos e uma em cada 25 aos 45 anos. “Com a biópsia embrionária, é possível avaliar os embriões antes de serem transferidos para o útero materno durante o processo de fertilização in vitro. Antes disso, os pacientes devem passar por um aconselhamento genético-reprodutivo, realizando um histórico familiar detalhado e a análise cromossômica dos cônjuges. As tecnologias empregadas têm diferentes objetivos e métodos, podendo testar o embrião para mais de 600 doenças gênicas ou abortamentos de repetição”.

Mais sobre defeitos congênitos

Iaconelli afirma que ainda não se estabeleceu um padrão sobre o que é ou não um defeito congênito, mas é possível classificá-los como maiores e limitantes ou menores, embora importantes. “Na primeira classe estão defeitos drásticos, como anencefalia e comunicação interventricular cardíaca, por exemplo. Já entre os mais brandos estão as manchas na pele (café-com-leite, vinho-do-porto) e a sindactilia cutânea – quando não há separação entre dois  ou mais dedos. “A presença de três ou mais defeitos congênitos leves aumenta as chances de haver algum defeito maior a ser investigado. Entre os recém-nascidos, estima-se que entre 2% e 3% apresentem algum defeito congênito maior e reconhecível. Por outro lado, alguns estudos demonstram que 90% dos embriões ou fetos com anormalidades cromossômicas são espontaneamente abortados”.

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