Brasil está em 6º lugar no ranking da tuberculose

Brasil está em 6º lugar no ranking da tuberculose

Atualizado: Quinta-feira, 20 Março de 2008 as 12

Condições sócio-econômicas inadequadas é a principal causa da doença

Por mais distante que ela possa parecer, a tuberculose, doença que no início no século XX ainda não possuía tratamento específico e levava muita gente no Brasil aos famosos "sanatorinhos" - na tentativa de resolver o problema com o isolamento - ainda continua afetando o país. Segundo a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisologia ocorrem 100 mil novos casos por ano no Brasil, o que classifica-o no 6º lugar no ranking dos países com casos de tuberculose. No dia 24 de março, o Ministério da Saúde instituiu a data como dia mundial de combate ao problema, pela portaria nº 2.181/2001.

No Paraná foram registrados mais de 2.500 casos da doença em 2007, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde, índice que se assemelha ao restante dos estados brasileiros. A doença está diretamente relacionada a condições sócio-econômicas, como aglomeração de pessoas e moradias inadequadas e mal-ventiladas. "Como é uma doença de transmissão de pessoa para pessoa, há propagação mais intensa nessas situações", ressalta o pneumologista do Hospital Nossa Senhora das Graças Dr. João Adriano de Barros.

Outro fator importante para a tuberculose se manifestar é quando o organismo apresenta baixa imunidade. "Isto é relevante principalmente em casos de desnutrição e alcoolismo. Também há grande relação com o HIV. Quando há um paciente com diagnóstico de tuberculose, nós solicitamos o exame de HIV e vice-versa. Afinal, pessoas soropositivas apresentam imunidade baixa e ficam mais suscetíveis a contrair a doença", explica o especialista.

Causada pelo bacilo de koch, a tuberculose ocasiona uma inflamação no pulmão, como se fosse uma pneumonia de evolução lenta. Esse processo pode provocar cavidades no pulmão, seguidas de sangramento. "Há outras formas de manifestação como derrame pleural (água nos pulmões), formação de nódulos e acometimento de outros órgãos e doenças como meningite, artrite e envolvimento intestinal", esclarece Dr. João.

O sintoma característico da tuberculose é a tosse prolongada. Se o problema persistir por mais de três semanas a pessoa deve procurar um médico. "Pode haver escarro sangue e falta de ar. È importante também observar se ocorre febre. Pessoas com tuberculose também emagrecem bastante, geralmente 10% do peso corporal", diz o médico.

Para diminuir os índices de tuberculose, além da melhora das condições sócio-econômicas do país, é importante o diagnóstico ser feito precocemente, assim, o paciente infectado logo deixa de transmitir a doença. O tratamento, feito com antibióticos deve ser seguido à risca durante seis meses. "Pelo tratamento ser demorado, 30% das pessoas abandonam a medicação por conta da melhora na fase inicial. Estes indivíduos terão recaídas, o que deixa a tuberculose mais resistente aos antibióticos e torna o tratamento mais difícil e caro", salienta Dr. João.

No Brasil, o tratamento da tuberculose é fornecido pelo governo gratuitamente. No Paraná, a Secretaria de Saúde possui programa de análise epidemiológica e capacitação de profissionais para o tratamento. "Ocorrem seis mil óbitos por tuberculose por ano no Brasil, uma incidência significativa, que está relacionada, principalmente, com o abandono do tratamento", ressalta o pneumologista.

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