Brasileiros que viajam a "destinos exóticos" são maioria nos serviços de medicina ao viajante

Brasileiros que viajam a "destinos exóticos" são maioria nos serviços de medicina ao viajante

Atualizado: Terça-feira, 1 Setembro de 2009 as 12

Embora países como a Inglaterra e Suíça ainda apresentem surtos de sarampo, doença controlada nas Américas, a maioria dos brasileiros só procura o serviço de medicina de viagem quando tem como destino países da África e Ásia. A afirmação é da infectologista Tânia S. Souza Chaves, coordenadora do serviço médico para viajantes do Hospital das Clínicas e do Instituto Emílio Ribas, ambos em São Paulo. "Nem a proximidade do inverno no hemisfério norte com a ameaça do vírus A/H1N1 deve mudar esta situação", lamenta a médica em simpósio satélite promovido hoje (sábado, dia 29) pela Sanofi Pasteur, a divisão de vacinas da Sanofi-Aventis, dentroa 11a Jornada Nacional de Imunizações da SBIm - Sociedade Brasileira de Imunizações, no Rio de Janeiro.

No evento, ela aborda aspectos do estudo "Práticas e Medidas para a Redução de  Riscos à Saúde dos Viajantes: a Experiência de um Serviço Público em São Paulo, Brasil", apresentado em maio de 2009 na 11a Conferência da Sociedade Internacional de Medicina do Viajante, em Budapeste, sobre o perfil de 997 pessoas atendidas pelo Ambulatório de Medicina do Viajante do Hospital das Clínicas em quatro anos.

De acordo com a pesquisa, mais da metade dos atendidos foram mulheres (52%), com 33 anos, que iriam viajar a trabalho (45,8%), lazer (40,6%) ou ambos (4,65) para África (47,4%),  Ásia (33,25), América do Sul (26,9%) e Brasil (17,3% - principalmente a região norte).  Dos viajantes a trabalho, 55,6% tinham como destino a África e 42,2%, a Ásia.

"Boa parte dos brasileiros desconhece que países desenvolvidos também têm problemas com doenças transmissíveis. Em 2004, um surto de caxumba atingiu quatro mil pessoas no Reino Unido. Em 2006, meses antes da Copa do Mundo, mil pessoas tiveram sarampo na Alemanha. Em regiões da Europa, há risco de encefalite por carrapato, que não existe no Brasil", informa a médica. Quando passeiam pelo território nacional, muitos viajantes pensam estar livre de doenças transmissíveis, ignorando que grande parte do País é considerada hoje área de risco para a febre amarela.

Na avaliação de Tânia S.Souza Chaves, a preocupação com a saúde deve ser uma regra do viajante, mesmo quando o roteiro a ser seguido parece seguro. "A consulta é uma excelente oportunidade para o indivíduo colocar a vacinação em dia", diz a médica, revelando que 60,8% dos pacientes incluídos no estudo apresentado em Budapeste estavam com suas carteiras de vacinação desatualizadas.   

Medicina do Viajante: Quem mais consulta

O perfil dos pacientes do Ambulatório dos Viajantes do Hospital das Clínicas revela o crescimento de oportunidades de trabalho na África, principalmente em Angola e Moçambique, onde se fala o português. "Atendemos muitos profissionais de saúde (médicos, nutricionistas, farmacêuticos), da construção civil (engenheiros, mestres de obra, trabalhadores braçais) e de serviços de hotelaria e restaurantes", explica a médica.

No período analisado, o estudo sobre o ambulatório do HC demonstrou que as vacinas mais recomendadas foram contra febre tifóide (56,6%), difteria e tétano (50,3%), hepatite A (46,5% ), hepatite B (41,6%) e febre amarela (24%).  

Impacto das doenças sobre o viajante

No simpósio satélite da SBIm, Tânia S. Souza Chaves ressalta o impacto das mais variadas doenças nos viajantes descrito no estudo do médico Robert Steffen, publicado no Journal Travel Medicine, publicação oficial da Sociedade Internacional de Medicina de Viagem. Entre as doenças preveníveis por vacinas mais incidentes nos viajantes estão a hepatite A e a gripe sazonal, com um caso a cada grupo de mil viajantes que se deslocam para áreas onde há risco da doença.

Outras doenças têm baixa incidência, mas são muito graves, porque podem provocar a morte ou deixar seqüelas nos viajantes.  É o caso da febre amarela que, quando se manifesta de forma grave, pode causar a morte de até 50% dos infectados. Neste grupo, estão incluídas a encefalite japonesa na Ásia e a poliomielite que ainda é um problema importante de saúde pública na África.

Postado por: Felipe Pinheiro

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