Brasileiros usam materiais feitos de bactérias para regenerar ossos

Brasileiros usam materiais feitos de bactérias para regenerar ossos

Atualizado: Terça-feira, 24 Agosto de 2010 as 4:24

Pesquisadores da Unesp (Universidade Estadual Paulista) estão estudando materiais produzidos com a celulose de uma bactéria para regenerar tecidos ósseos. Esses biomateriais podem ser utilizados em casos de queimaduras e em procedimentos odontológicos.

O biomaterial usado pelos cientistas brasileiros é feito a partir de celulose produzida por bactérias do gênero Gluconacetobacter. Essa bactéria expele fibras de celulose durante seu crescimento, fabricando uma trama de fios nanométricos (bilionésimo de metro).

A celulose bacteriana serviu como base para a produção do biomaterial, que também inclui alguns elementos que fazem parte dos ossos, como colágeno (proteína) e hidroxiapatita (agente inorgânico) deficiente em cálcio.

De acordo com Reinaldo Marchetto, coordenador do estudo e professor do Instituto de Química da Unesp, esse biomaterial é capaz de estimular a regeneração óssea, possibilitando a migração de células que formam esse tecido.

Para os pacientes, o novo produto significará menos tempo de recuperação em casos de acidentes que provoquem perdas desse tipo de tecido.

- Estamos investigando novas aplicações da celulose, principalmente porque ela é biocompatível e biodegradável. Para a nossa aplicação, o fato de ser reabsorvida pelo organismo é uma característica bastante importante, e a necessidade de uma segunda cirurgia seria evitada.

O pesquisador afirma ainda que a celulose bacteriana tem sido utilizada em várias áreas, como nos casos de queimaduras e em outros procedimentos médicos ou odontológicos. O processo de pedido de patente do biomaterial já foi iniciado.

Produto mais barato

Estudos preliminares em animais vivos feitos em fêmur de ratos apontam que o biomaterial poderá regenerar tecido em um período entre sete a 15 dias, dependendo do tamanho do defeito.

De acordo com Marchetto, o principal desafio foi misturar os componentes ósseos (colágeno e hidroxiapatita) com os peptídeos (substâncias que formam as proteínas) sintéticos, diz o pesquisador.

- Existem produtos semelhantes no mercado, geralmente importados, porém sem a presença de peptídeos. Quando o nosso produto estiver sendo comercializado, além da maior eficiência, o custo será bem inferior ao importado, cerca de dez a 20 vezes mais barato.

Segundo ele, clínicas odontológicas e ortopédicas serão os principais consumidores do biomaterial.

- Além disso, poderá servir de base para outros estudos, uma vez que a celulose permite acrescentar muitos outros componentes.

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