Bronzeadores dispensam a exposição aos raios ultravioletas

Bronzeadores dispensam a exposição aos raios ultravioletas

Atualizado: Sexta-feira, 22 Janeiro de 2010 as 12

Em um país em que o câncer de pele corresponde a 25% de todos os tumores malignos registrados - o tipo da doença mais frequente, segundo o Inca (Instituto Nacional do Câncer) -, cresce a procura por alternativas de bronzeamento que descartam a exposição ao sol ou a raios ultravioletas em clínicas de bronzeamento artificial. A opção mais conhecida é o uso de autobronzeadores, cremes que, em questão de minutos, deixam a pele com a cor do verão. Mas também há soluções mais naturais, em que é possível escurecer a pele apenas com a ingestão de alimentos específicos.

Segundo Meire Odete Américo Brasil Parada, médica da Unidade de Cosmiatria do Departamento de Dermatologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e dermatologista da regional de São Paulo da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia), alimentos ricos em betacaroteno, substância rica em vitamina A, podem, sozinhos, dar uma impressão de bronzeamento.

- Eles dão coloração um pouco mais amarelada à pele e o bronzeamento funciona de forma natural. Cenoura, mamão, beterraba e, em geral, todos os alimentos coloridos contém esse componente.

Meire lembra também que a substância encontrada nos alimentos pode dar certa proteção à pele de quem, depois, toma sol na praia. Mas a medida "não funciona como filtro solar", de acordo com a especialista. Mesmo assim, ela defende o uso dessa prática em vez de optar pelo tradicional banho de sol na areia da praia durante o verão.

- As melhores maneiras de se ficar bronzeado são a partir da ingestão de alimentos naturais e do autobronzeamento, simplesmente porque ações como essas dispensam a luz do sol.

O médico dermatologista Marcus Maia, professor da clínica de dermatologia da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e membro da SBD, concorda com Meire e alerta para o fato de que o uso de autobronzeador não dispensa a aplicação de filtro solar.

- É preciso ficar bem claro que a cor que a pessoa obtém [com o autobronzeador] não protege contra a radiação ultravioleta. O produto oxida a camada da pele e cria uma outra mais colorida.

O autobronzeador funciona como se fosse uma maquiagem, segundo Meire, e tem um prazo de validade. Por isso, é recomendável manter uma rotina na aplicação do creme, além de tomar cuidado para espalhar o produto uniformemente pelo corpo. A distribuição é importante por causa do poder de tintura do autobronzeador, que em caso de descuido pode causar manchas na pele que demoram mais de uma semana para sair. Apesar disso, de acordo com Maia, o creme não oferece riscos à saúde humana.

- O surgimento de manchas é decorrente da má aplicação do produto. Às vezes, a combinação da cor do autobronzeador com a pele da pessoa também não fica legal. O único risco é a pessoa achar que, porque está bronzeada, pode ficar no sol sem se proteger.

Meire ainda chama a atenção para a possível reação que alguns tipos de pele podem ter aos cremes.

- O autobronzeador não traz nenhum risco à saúde, a menos que a pessoa tenha algum tipo de alergia. Nesse caso, vale a regra de fazer um teste aplicando uma pequena quantia do produto no corpo para descobrir se há reação ou não.

Por Lucas Frasão

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