Cadeirantes driblam limitações e chegam ao prazer sexual

Cadeirantes driblam limitações e chegam ao prazer sexual

Atualizado: Segunda-feira, 5 Abril de 2010 as 12

As limitações físicas não impedem paraplégicos e tetraplégicos de fazerem sexo e mesmo ter prazer com isso. Um bom exemplo disso é a rotina do administrador Alessandro Ribeiro Fernandes, de 36 anos.

Mineiro, Fernandes se acidentou em julho de 2006 quando a moto que dirigia foi atropelada por um trator dentro da Universidade de Viçosa, no interior de Minas. Ao cair de cabeça, o peso do corpo lesou a medula. Antes do acidente, Fernandes era adepto de esportes radicais como trekking e mountain bike. Hoje paraplégico, mantém um relacionamento com Giordana desde 2007, com que já tinha namorado em 2003.

Segundo ele, o segundo momento do relacionamento com a amada só melhorou. Há dois anos morando juntos, ele afirma que "nunca esteve tão feliz como hoje".

- Temos um relacionamento muito tranquilo e sem ciúme e vivemos de uma forma bem harmoniosa.

Independente, Fernandes dirige e se vira bem em casa, como ele mesmo diz.

- Por ser um homem muito alto, com 1,95 m, consigo fazer quase tudo em casa, mesmo sentado. Só não pego coisas de dois metros para cima, brinca.

E como qualquer outro casal, eles mantém uma vida sexual saudável.

- Dá para namorar, não perfeitamente, mas não tem muita diferença. As posições é que são limitadas, mas não precisa de medicação, funciona normal.

Tanto que sua namorada está em processo de inseminação artificial para poderem ter filhos. "Pretendemos tê-los daqui um ano e meio, dois anos", diz.

Casamento e filhos

Fato semelhante envolve a vida do casal Tania de Melo Barbosa Speroni, de 35 anos, e Milton José Speroni, de 45 anos. A veterinária e o bancário vivem em Porto Alegre (RS). Milton sofreu um acidente de carro há 10 anos quando voltava da faculdade à noite por uma estrada. O carro capotou e Milton ficou tetraplégico. Segundo Tania, o casal se conheceu no Rio de Janeiro e ficaram anos sem contato, até ela conseguir um trabalho na capital gaúcha.

- Soube que ele havia sofrido o acidente, mesmo assim resolvi reencontrá-lo sem nenhum compromisso, mais aí o amor falou mair alto. O que era para ser só um reencontro, virou namoro e casamento.

Tania conta que na vida do casal cada um faz suas coisas de forma independente. Milton faz fisioterapia, faculdade e é responsável pelas organização e das despesas da casa, enquanto ela trabalha, cuida da casa e faz as compras. Em algumas noites da semana o casal costuma se reunir com os amigos, além de viajar de férias.

Quanto ao sexo, ele também está presente na vida do casal. Tânia conta que a lesão e perda da sensibilidade, não interfere na atração física.

- É preciso desmistificar que lesado medular é assexuado. Claro que temos relações sexuais, isso faz parte do pacote "casamento". Eu me satisfaço, ambos sentimos prazer. Não adaptamos nada para transar. Para uma relação sexual acontecer basta ter o desejo e isso temos. Claro que não podemos transar na pia da cozinha por uma questão de "logística", o Milton tem quase 1,90m e eu 1,70m.

Não temos filhos, mas planejamos muito tê-los, esse ano a família cresce, com fé em Deus.

Postado por: Felipe Pinheiro

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