Cafeína entre adolescentes leva a problemas de saúde e alimentares

Cafeína entre adolescentes leva a problemas de saúde e alimentares

Atualizado: Terça-feira, 14 Dezembro de 2010 as 8:45

"Os adolescentes são o público que vem cada vez mais consumindo cafeína no dia a dia, mas poucos estudos focaram essas mudanças na alimentação diária. Precisamos entender o impacto desse aumento no consumo da cafeína entre os adolescentes", aponta Jennifer Temple, da Universidade de Buffalo, EUA.

A pesquisa acompanhou, inicialmente, um grupo pequeno (50 indivíduos, aproximadamente) de adolescentes entre 12 e 17 anos que consumiram refrigerantes originalmente sem cafeína. Em um segundo momento, esses refrigerantes foram adicionado da substância, sendo que um dos grupos consumia a bebida acrescida de 50 ml de cafeína.

Outros dois grupos (consumindo 100 ml e 200 ml) também foram acompanhados. Paralelamente a isso, os pesquisadores monitoraram as variações na pressão sanguínea e ritmo cardíaco em intervalos de 10 minutos, durante 1 hora ao dia após a ingestão das bebidas.

Ao final do experimento, os indivíduos também responderam a um questionário sobre o que estavam sentindo e também tinham a opção de consumir um lanche que podia ser rico em açúcares, com altos níveis de gorduras ou com excesso de ambos.

Os meninos que haviam ingerido as maiores quantidades de cafeína foram avaliados com uma pressão sanguínea maior, quando comparados àqueles que tinham ingerido as bebidas com baixas doses de cafeína. Nas meninas, entretanto, essa variação não foi observada. Mas tanto meninos quanto meninas que haviam consumido altas doses de cafeína mostraram uma tendência ao consumo de alimentos ricos em açúcares após os experimentos.

Uma pesquisa de percepção também identificou que, quando podiam escolher, os adolescentes diziam preferir bebidas com cafeína, pois acreditavam que ficavam com "mais energia", "mais ativos" e com "maior rendimento nos esportes". Além disso, os adolescentes também afirmavam que a cafeína os ajudava a ficar concentrados.

Pesquisas anteriores já haviam demonstrado também que as meninas costumam consumir menos bebidas com cafeína do que os meninos. A questão levantada pela atual pesquisa foi se as garotas ingeriam menos dessas bebidas porque sentem menos os efeitos "positivos" da cafeína ou se o baixo consumo é que diminuiria esses efeitos.

De uma forma ou de outra, os pesquisadores apontam que é necessário entender melhor esse tipo de consumo alimentar. Primeiro porque os impactos na saúde são pouco conhecidos, seja em curto ou em longo prazo e, em segundo lugar, diz Temple, porque há também diferenças psicológicas dos efeitos desse tipo de substância entre meninos e meninas, e seria interessante detalhar essas diferenças para poder entender melhor o aumento desse tipo de consumo.

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