Campanha contra rubéola pretende atingir 70 milhões de adultos brasileiros

Campanha contra rubéola pretende atingir 70 milhões de adultos brasileiros

Atualizado: Quinta-feira, 3 Julho de 2008 as 12

O Ministério da Saúde pretende vacinar, entre os meses de agosto e setembro, aproximadamente 70 milhões de pessoas na faixa etária de 20 a 39 anos contra a rubéola. A campanha será feita em parceria com 204 instituições dos setores público, privado e não-governamental, e foi apresentada hoje, dia 2, no Ministério da Saúde.

Embora a mobilização seja grande, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, assegura que a motivação para a vacinação não é uma possível epidemia da doença, mas um processo de prevenção para eliminar a rubéola do país. No ano passado, foram registrados 8.407 casos.

"Não há uma epidemia, há uma medida de saúde pública que tem que ser eficaz. Você não consegue erradicar a doença fazendo apenas bloqueios setoriais ou que cubram apenas parte da população. Quando você quer, do ponto de vista de saúde pública, erradicar, você tem que criar o que chamamos de imunidade coletiva", afirma Temporão.

Essa ?imunidade coletiva? significa que todos devem se vacinar, inclusive aqueles que já tiveram rubéola ou que já tomaram a vacina. "Quem já teve rubéola fica imune, que nem sarampo, para o resto da vida. Mas quando queremos eliminar uma doença, precisamos constituir uma imunidade de grupo", detalha o secretário de Vigilância em Saúde, Gerson Penna.

As únicas pessoas que não devem tomar a vacina são as mulheres grávidas. O público masculino será o alvo preferencial da campanha de divulgação. Do total de casos de rubéola confirmados em 2007, 70% foram em homens. Ainda segundo o ministério, há, no imaginário popular, a idéia de que a doença só atinge mulheres.

"Nossos comunicólogos vão ter que pensar numa abordagem que mostre que, nesse ponto específico, o homem e a mulher estão juntos na erradicação de uma doença. É uma situação nova e bem interessante, mas acho que é também um processo pedagógico. Eu começo a perceber que os homens estão mais sensíveis, mais abertos e mais preocupados", afirma Temporão.

Penna detalhou que a divulgação da campanha será voltada às atividades masculinas ? ambientada em fábricas e campos de futebol, por exemplo. "Os homens precisam entender que eles têm rubéola igualzinho às mulheres e são, hoje, os responsáveis pela circulação do vírus no Brasil. Eles podem não tê-la, mas serem portadores, e transmitirem a uma mulher grávida", defende.

O principal risco da rubéola em uma mulher grávida é a transmissão do vírus para o feto, o que pode originar a Síndrome da Rubéola Congênita. A doença é capaz de provocar danos na visão, na audição e nas funções cerebrais do bebê.

A expectativa do ministério é que as parcerias com a iniciativa privada e com o terceiro setor tornem a campanha mais eficiente, pois será possível que se monte postos de vacinação, por exemplo, dentro das empresas - o que permitirá ao trabalhador tomar a vacina sem se preocupar em ir a um posto de saúde. Depois de tomar a vacina, a pessoa fica imunizada para sempre.

O governo federal investiu cerca de R$ 230 milhões na campanha, sendo R$ 135 milhões em seringas, R$ 9 milhões em agulhas, e pelo menos R$ 10 milhões na divulgação.

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