Câncer de laringe: mais um motivo para parar de fumar

Câncer de laringe: mais um motivo para parar de fumar

Atualizado: Sexta-feira, 19 Agosto de 2011 as 12:08

  O cigarro e o excesso de álcool são os principais fatores que podem causar câncer de laringe. A doença atinge 15 mil pessoas por ano no Brasil, e representa 25% dos tumores malignos que afetam a região de cabeça e pescoço. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking mundial de incidência da doença, estando atrás apenas da Espanha.   A laringe é um órgão muito importante porque participa da respiração, como um canal condutor de ar, e da formação dos sons. Além disso, é responsável pela proteção das vias aéreas, agindo como uma válvula que impede tanto a penetração de alimentos na via respiratória, quanto a passagem de ar durante a deglutição.

O câncer de laringe apresenta boas chances de cura quando o diagnóstico é realizado precocemente.

Os sintomas variam dependendo da região acometida pela doença e de sua extensão. De modo geral, os pacientes apresentam rouquidão por mais de 15 dias, desconforto e dor persistente na garganta, tosse contínua, dificuldade em engolir, escarro com sangue, mau hálito, dor de ouvido reflexa e presença de caroços no pescoço.   O diagnóstico do câncer de laringe é feito por meio de exames clínicos e pela laringoscopia. A análise cuidadosa de cada paciente permite ao médico optar pela melhor forma de tratamento, seja radioterapia, quimioterapia ou intervenção cirúrgica.

A laringectomia é a cirurgia de retirada parcial ou total da laringe. O laringectomizado recebe uma abertura na base do pescoço, conhecida como traqueostoma, que vai permitir a respiração normal. Esta será a via pela qual o paciente passará a respirar, tossir e espirrar, em substituição à boca e o nariz. Embora a cirurgia esteja associada à perda definitiva da voz, nas últimas décadas, houve um progresso na reabilitação vocal, com cerca de 70% de sucesso entre pacientes laringectomizados.   O cirurgião de cabeça e pescoço Rogério Dedivitis ressalta a importância do diagnóstico precoce. “Quando o tratamento é feito na fase inicial da doença, além da alta chance de cura, o paciente pode ficar sem traqueostoma e apresentar voz bastante adequada, possibilitando boa comunicação e vida social normal. A reconstrução vocal é feita durante a cirurgia de retirada do tumor e a terapia pós-operatória com fonoaudiólogo especializado permite otimizar o uso das estruturas que não precisaram ser operadas. No caso de doença avançada, existe, muitas vezes, a necessidade da realização da laringectomia total, a retirada de toda a laringe. A principal conseqüência é a traqueostomia definitiva. Nesse caso, a voz pode ser reabilitada por meio de prótese fonatória tráqueoesofágica, voz esofágica ou laringe eletrônica”, explica.   Cirurgia de cabeça e pescoço – O profissional responsável pela laringectomia é o cirurgião de cabeça e pescoço. Embora a especialidade ainda seja pouco conhecida, ela já é regulamentada e reconhecida pela Associação Médica Brasileira. A cirurgia de cabeça e pescoço trata principalmente dos tumores benignos e malignos da região da face, fossas nasais, seios paranasais, boca, faringe, laringe, tireóide, glândulas salivares, dos tecidos moles do pescoço, da paratireóide e tumores do couro cabeludo.

Um dos principais procedimentos diagnósticos realizados pelo cirurgião de cabeça e pescoço é a laringoscopia, realizada para examinar lesões da laringe e faringe. As cirurgias realizadas com mais frequência pela especialidade são as tireoidectomias, traqueostomias (inserção de orifício artificial na traquéia), cirurgias de glândulas salivares, tumores da boca e da laringe.

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