Capixabas relatam como é continuar a vida após receber um órgão

Capixabas relatam como é continuar a vida após receber um órgão

Atualizado: Segunda-feira, 26 Setembro de 2011 as 8:23

Quatro horas sentado em uma poltrona, com o braço esticado, sem se mexer, ao lado de uma máquina. Durante meses, essa tem sido a rotina do aposentado Alcides Lopes Filho, 57 anos, três vezes por semana. "Há seis meses faço hemodiálise e é dolorido", conta. Ele é uma das quase 800 pessoas que aguardam na fila do transplante de rim no Espírito Santo. Mas esse sofrimento está perto do fim. "Três irmãos fizeram os exames necessários para doar o órgão e são compatíveis. A minha irmã será minha doadora agora em novembro. Eu dei muita sorte e não vou ficar muito tempo na fila", conta esperançoso o aposentado.

Neste domingo (25), é comemorado em todo o Brasil o Dia Nacional do Doador de Órgãos. No Espírito Santo, a data foi marcada com uma caminhada na orla da Praia da Costa, em Vila Velha, região metropolitana da Grande Vitória. As histórias de quem depende de um transplante de órgão no Brasil são sempre parecidas. Um sentimento do dor e esperança se misturam a uma corrente do bem.

Foi graças a uma doação de um rim que o aposentado Jader Queiroz, de 60 anos, participa da caminhada este ano. Ele sofreu a espera do órgão por vários anos. Foi dependente da máquina de hemodiálise e agora sabe o que é estar em liberdade. "Agora eu sou um homem livre, homem livre em todos os sentidos", conta o aposentado.

Hoje quem também está feliz da vida é o segurança Elizeu Marcos, de 48 anos. Aliás, Elizeu é personagem principal de uma história incrível. "Quando eu tinha 23 anos, há 25 anos, eu doei um rim para a minha mãe. Agora, recentemente, eu recebi um rim da minha irmã". Elizeu é um exemplo de amor. Amor ao próximo, amor a si mesmo... um exemplo de superação. "São coisas de Deus. Você nunca imagina que vai passar por essa situação. Quando você doa com o coração, você recebe do mesmo jeito".

Caminhada

Muita gente acordou cedo, apesar do tempo nublado. Jovens, crianças, adultos, idosos... Todos junto, unidos para alertar, conscientizar, chamar a atenção para a doação. "Eu acho muito importante doar os órgãos. Eu mesma, o dia que não estiver mais aqui, quero doar tudo", revela a dona de casa Iracema da Penha. A advogada Anna Kristina Colotetti pensa da mesma forma. "É importante as pessoas doarem os órgãos para terem condição de ter uma nova vida, uma continuação. É importante porque é vida", declara.

De janeiro a junho deste ano, 257 transplantes já foram realizados no Espírito Santo. O transplante de córneas é maioria (193), seguido por rins (33), fígado (10), medula óssea (10) e coração (1).

Em 2011, a Secretaria de Saúde do Estado conseguiu zerar a fila do transplante de córneas. " Essa iniciativa é importante para que as pessoas possam discutir nas suas famílias o assunto doação, já que são as famílias optam por doar. E dessa forma a gente espera que muitas e muitas pessoas saiam da fila do transplante aqui no Espírito Santo", diz o secretário de Saúde, Tadeu Marino.

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