Cardiopatias em idosos: qualidade de vida é a maneira de prevenir

Cardiopatias em idosos: qualidade de vida é a maneira de prevenir

Atualizado: Quarta-feira, 2 Fevereiro de 2011 as 8:36

Com o passar dos anos é normal que o corpo sofra desgastes naturais dos tecidos do organismo. Com o tempo, esse desgaste atinge as artérias e o coração, o que pode levar ao desenvolvimento de algum tipo de cardiopatia ou então problemas anteriormente instalados e assintomáticos – que não haviam sido notados, pois os indivíduos não demonstravam os sintomas – que irão piorar e comprometer a saúde dos idosos.

Cardiopatias em idosos: qualidade de vida é a melhor maneira de prevenir problemas tardios do coraçãoNa maioria dos casos, explica Márcio Figueiredo, cardiologista e membro da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac), os problemas não são preexistentes. “O que acontece é que algumas pessoas desenvolvem esse processo de desgaste do corpo de forma mais acentuada. A aterosclerose, em especial, é a principal causadora desses problemas”, aponta Figueiredo.

Não se sabe ao certo a causa da aterosclerose. Mas o resultado final é o acúmulo de placas de gordura nos vasos sanguíneos, levando a um estreitamento desses vasos, podendo dificultar a passagem do sangue para uma região do corpo.

“A aterosclerose pode provocar cicatrizes no coração e levar a uma arritmia cardíaca – mudança no padrão de batimentos do coração, que passa a bater mais rápido – e essa arritmia em uma pessoa idosa pode comprometer toda a saúde, tendo como resultante levar a situações como uma parada cardíaca e morte súbita”, diz o especialista.

O controle desse tipo de condição pode ser feito de forma simples, com fármacos, ou com procedimentos cirúrgicos relativamente simples – se comparados a outras cirurgias cardíacas – como a ablação por radiofrequência que cauteriza pontos nas paredes do coração. Outras arritmias podem precisar da instalação de um marca-passo para equilibrar o ritmo do coração ou então de um desfibrilador implantável (CDI), aparelho que, em uma emergência, produz uma corrente elétrica para fazer o coração voltar a bater no ritmo adequado.

Em casos mais graves, indicam-se cirurgias mais complexas, mas que podem diminuir radicalmente as condições associadas. “Às vezes, uma cirurgia para reparar uma válvula do coração que tem algum defeito pode reduzir ou eliminar outro problema associado”, diz o cardiologista.

“No caso dos tratamentos medicamentosos, é preciso estar atento, pois é comum que os idosos estejam sofrendo de outras condições de saúde e estejam ingerindo outros remédios. É o que chamamos de indivíduos em tratamento ‘multifarmácia’. E a ingestão de medicamentos diferentes precisa ser acompanhada de perto, pois pode acarretar a interação medicamentosa entre os compostos dos remédios, levando a novas condições – ou complicando outras – por conta desses efeitos colaterais”, diz Figueiredo. (para sabe mais sobre interação medicamentosa clique AQUI)

Além da avaliação constante dos médicos responsáveis pela saúde dos idosos, é importante que as pessoas controlem os fatores de risco para diminuir o ritmo dessa degeneração do organismo e, portanto, de condições como a aterosclerose.

“Não há segredo. Para retardar os efeitos do envelhecimento, devemos focar na mudança de comportamento visando a uma melhor qualidade de vida. Isso inclui uma alimentação balanceada e saudável, ter uma rotina de exercícios físicos e não fumar. Isso tudo ajuda a controlar a pressão alta, o diabetes e os níveis de colesterol no sangue. O controle desses fatores diminui o risco para o desenvolvimento da aterosclerose e, consequentemente, de arritmias cardíacas e outras condições relativas à saúde do coração”, finaliza Figueiredo.

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