Casos de tuberculose caem em 10 anos

Casos de tuberculose caem em 10 anos

Atualizado: Terça-feira, 1 Setembro de 2009 as 12

A incidência de tuberculose no Brasil caiu 27,5% nos últimos dez anos - de 51,44 casos por 100 mil habitantes em 1999 para 37,12 em 2008. Em termos absolutos, a redução foi de 82.934 novos casos para 70.379 no ano passado.

A taxa de mortalidade da doença - que, no século 19, quando era incurável, matou o poeta Castro Alves e o imperador D. Pedro I e também foi muito retratada na literatura - também registrou queda: de 3,62/100 mil habitantes para 2,38/100 mil habitantes.

A maior parte dos casos ocorre nos Estados do Amazonas (68, 93/100 mil hab.), Rio de Janeiro (66,56/100 mil hab.) e Pernambuco (47,69 /100 mil hab.). Portadores de HIV tem 30 vezes mais chances de contrair a doença. Presidiários tem 40 vezes mais chances e, moradores de rua, 60 vezes. A incidência entre homens é o dobro que entre as mulheres.

Coordenador do Programa Nacional de Controle da Tuberculose do Ministério da Saúde, Draurio Barreira explica a redução dos índices da doença pelo aumento de investimentos no governo federal - cerca e US$ 5,5 milhões em 2002 para US$ 79 milhões no ano passado, segundo ele - e pelo esforço maior na continuidade do tratamento dos infectados.

Um dos problemas no tratamento da tuberculose está em que muitos infectados interrompem o tratamento antes do recomendado - seis meses de medicação. "Ainda temos taxa de abandono de 8%, que é alta, mas houve redução", afirmou. A pasta não informou o porcentual de abandono nos anos anteriores.

"Há um esforço de descentralização do tratamento", disse Barreira. "Isso fez com que mais municípios assumissem papel no controle da doença."

O tratamento supervisionado é uma das recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) que, em 1993, decretou a doença como de combate prioritário, medida adotada no Brasil dez anos depois. De acordo com o Ministério da Saúde, o porcentual de cobertura do tratamento está hoje em cerca de 40% dos casos novos.

Segundo Barreira, um dos motivos que levam à interrupção no tratamento é a rejeição gástrica de muitos pacientes aos medicamentos. Até ontem o tratamento era feito a partir da ingestão diária de três drogas, divididas em duas cápsulas e quatro comprimidos para uma pessoa de 60 quilos (a quantidade de medicamento varia com o peso do paciente). A partir de hoje, a posologia será de três comprimidos. "A redução evita erro médico e facilita o tratamento."

Para o presidente da Comissão de Tuberculose da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, Marcus Conde, a redução do número de casos é uma boa notícia, mas o número anual de novos casos (em torno de 70 mil) ainda é alto. "A queda ainda é pequena."

De acordo com o especialista, o Brasil ainda precisa avançar no diagnóstico da doença - que precisaria ser mais ágil -, além da redução da pobreza e melhora do sistema de saúde pública.

Postado por: Felipe Pinheiro

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