Casos suspeitos de dengue grave terão de ser notificados

Casos suspeitos de dengue grave terão de ser notificados

Atualizado: Quarta-feira, 19 Janeiro de 2011 as 8:22

Casos suspeitos de dengue grave e de mortes provocadas pela doença terão de ser notificados às autoridades em um prazo de 24 horas. A mudança, determinada em portaria do Ministério da Saúde, pretende dar maior transparência e agilidade no controle da doença. Atualmente, 16 Estados têm risco muito alto e outros 5, risco alto de enfrentar uma epidemia.

Ano passado, a dengue 4 já havia sido incluída na lista de doenças de comunicação compulsória, aquelas que obrigatoriamente têm de ser informadas ao governo num prazo de 24 horas. "É um recurso simples, informação on line. Rapidamente, o ministério fica informado", afirmou ao Estado o Secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa que, semana passada, visitou Amazonas, Estado onde foi confirmado uma morte por dengue grave (mais informações nesta página).

O secretário admite haver lentidão no repasse das informações sobre a doença, algo que é prejudicial para a adoção de medidas de controle: "Números atualizados são essenciais para identificarmos a tendência da doença em uma determinada região", disse Barbosa.

A comunicação de mortes suspeitas por dengue tem outro objetivo: detectar a tempo eventuais falhas no atendimento do paciente. "Com informação, podemos corrigir os problemas, o que ajudaria a evitar novas mortes", acrescentou.

Ano passado, até outubro foram notificados 936 mil casos de dengue e 598 mortes suspeitas. Embora números ainda não estejam fechados, Barbosa reconhece que a mortalidade está acima do que é tolerado pela Organização Mundial de Saúde: até 1% dos casos.

Emergência. Um problema que, em sua avaliação, pode ser corrigido com um plano de emergência adequado, que tem de ser colocado em prática assim que volume de casos começa a aumentar. "Pacientes precisam ser atendidos rapidamente. E de forma correta. Isso não exige grandes investimentos ou grande soma de dinheiro, mas sim, organização", afirmou Barbosa.

De acordo com o ministro Alexandre Padilha, levantamento feito em epidemias passadas mostram que 90% das mortes por dengue ocorreram entre pacientes que tiveram atendimento tardio. "Há ali uma combinação de fatores: população pode demorar a procurar médico e, quando procura, pode não receber atendimento adequado", disse Barbosa.

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