Central de medo no cérebro controla cautela em perder dinheiro

Central de medo no cérebro controla cautela em perder dinheiro

Atualizado: Quarta-feira, 10 Fevereiro de 2010 as 12

Um estudo divulgado nesta segunda-feira, dia 8, explica por que as pessoas têm medo de perder dinheiro. A central de medo do cérebro controla a resposta a uma aposta.

O estudo de duas mulheres com lesões cerebrais que as deixou sem medo de perder em apostas mostrou que as amídalas cerebelosas, o centro de medo do cérebro, são ativadas no exato momento em que se pensa sobre perder dinheiro.

O achado, relatado no periódico "Proceedings of the National Academy of Sciences", esclarece sobre comportamentos econômicos e sugere que os humanos se desenvolveram de modo a ser cautelosos sobre a perspectiva de perder comida ou outras posses valiosas.

Benedetto De Martinoa, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, em Pasadena, e da University College of London, e colegas, estavam estudando por que as pessoas acabam por recuar de apostas com as quais provavelmente iriam ganhar.

"Evidências de laboratório e de campo sugerem que as pessoas frequentemente evitam riscos de perdas mesmo quando poderiam ganhar um valor significativamente maior; é uma preferência chamada 'aversão à perda'", escrevem os autores.

"Por exemplo, as pessoas vão evitar apostas em que elas teriam a mesma chance de perder US$ 10 ou ganhar US$ 15", completam.

Doença

Eles estudaram duas mulheres com uma condição genética rara chamada doença de Urbach-Wiethe, que danifica as amídalas, a região central em formato de amêndoas no cérebro que controla o medo e outras emoções fortes.

Os pesquisadores compararam as respostas das mulheres com as de 12 pessooas com cérebros sem danos. Eles observam que este tipo de estudo geralmente envolve apenas poucas pessoas, já que não é possível ou ético infligir deliberadamente dano ao cérebro de uma pessoa para ver o que acontece.

Pediu-se aos voluntários que fizessem apostas em que havia uma probabilidade igual de que ganhariam US$ 20 ou perderiam US$ 5 (um risco que a maioria das pessoas aceitaria). Também havia apostas em que se ganhariam ou perderiam US$ 20 (risco que a maioria rejeitaria).

As duas pacientes com amídalas danificadas arriscavam sem temor até mesmo valores de US$ 50, com chances iguais de perda.

"Acreditamos que isto mostra que a amídala é crítica para ativar um senso de cautela diante de apostas em que você poderia perder", diz Colin Camerera, da University College London, que trabalhou no estudo.

O estudo também ajudou a compreender por que algumas pessoas aceitam mais riscos que outras. Talvez diferenças genéticas no DNA ativadas nas amídalas expliquem isso, disseram os pesquisadores.

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