Chance de morrer por infecção generalizada é 30% maior no SUS

Chance de morrer por infecção generalizada é 30% maior no SUS

Atualizado: Sexta-feira, 29 Outubro de 2010 as 8:30

Pacientes de hospitais públicos com infecção generalizada precisam esperar o dobro do tempo para receber diagnóstico e tratamento em comparação com as pessoas internadas em instituições particulares. Por causa disso, a chance de os usuários do SUS morrerem é 30% maior.

Esse é o resultado de uma pesquisa do Instituto Latino-Americano da Sepse (Ilas) e da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). O estudo foi realizado com 396 pacientes com sepse grave e choque séptico internados em 18 instituições - 9 públicas e 9 privadas.

Segundo Flávia Machado, presidente do Ilas e coordenadora do estudo, o levantamento mostrou que o problema não é causado pelos pacientes, mas, sim, por falta de atenção dos profissionais e redes de saúde.

- As pessoas chegavam ao hospital no mesmo estado, mas, na hora do diagnóstico, as internadas em instituições públicas apresentavam um quadro mais grave.

Os pacientes de instituições públicas pesquisados eram, em geral, mais jovens e tinham menos doenças associadas - ainda assim, morreram mais.

A sepse é um conjunto de manifestações graves em todo o organismo, causadas por uma infecção que pode estar localizada em um único órgão. O problema ocorre quando as toxinas liberadas pelo sistema imunológico para tentar combater o agente infeccioso passam a atacar também os órgãos vitais, causando problemas circulatórios e queda acentuada na pressão arterial.

No Brasil, a doença é a principal causa de morte nas UTIs, superando até mesmo o infarto e o câncer. Segundo dados do Ilas, quase 60% dos brasileiros que adquirem sepse acabam morrendo - índice muito superior à média mundial de 30%.

veja também