Chimpanzés e gorilas podem originar novos focos de malária na África

Chimpanzés e gorilas podem originar novos focos de malária na África

Atualizado: Terça-feira, 19 Janeiro de 2010 as 12

No title Os chimpanzés e gorilas selvagens também podem contrair malária, revelou uma técnica recente que permite extrair DNA das fezes dos grandes macacos africanos.

A equipe que fez a descoberta, saída de amostras coletadas na República dos Camarões, revelou dois novos parasitas do grupo do Plasmodium falciparum, parasita causador da doença: um risco para a emergência de novos tipos de malária humana

A importância do trabalho está em reafirmar o potencial de surgimento de novas epidemias vindas de populações selvagens de animais, como foi o caso, por exemplo, da Aids.

O estudo, assinado por cientistas de EUA, França, Gabão e Camarões, está na edição desta terça-feira (19) da "PNAS" e foi liderado por Francisco Ayala, da Universidade da Califórnia em Irvine.

Até recentemente, acreditava-se que o único "parente" próximo do P. falciparum fosse um parasita de chimpanzés, o P. reichenowi.

Transmissão

Mas no ano passado foi encontrado um plasmódio desconhecido em chimpanzés mantidos como animais domésticos em um local remoto do Gabão, batizado P. gaboni, e novas amostras coletadas na Costa do Marfim e em Camarões permitiram concluir que todas as variadas linhagens do parasita humano se originaram do P. reichenowi e passaram ao homem via chimpanzé.

O novo estudo examinou fezes de 125 chimpanzés e 84 gorilas de populações selvagens, e achou DNA de plasmódio em 22 dos chimpanzés e 18 dos gorilas.

As duas espécies novas do parasita, ainda sem nome, estavam em gorilas. A descoberta da variedade de plasmódios em vários países --e em diferentes subespécies de chimpanzés e gorilas-- mostrou a fragilidade das barreiras à transmissão entre espécies diferentes.

"O contínuo e crescente contato entre humanos e populações de primatas, principalmente por conta de desmatamento e de atividade madeireira, aumentam a possibilidade de transmissão de novos patógenos", escrevem os cientistas.

Por Ricardo Bonalume Neto

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