Cidades do litoral estão em situação de alerta para dengue neste verão

Cidades do litoral estão em situação de alerta para dengue neste verão

Atualizado: Quinta-feira, 8 Dezembro de 2011 as 1:04

Os destinos mais populares do Nordeste, como Porto Seguro e Salvador (BA), São Luiz (MA) e Maceió (AL), e cidades do litoral paulista estão entre os municípios em situação de alerta ou risco de surto para a doença neste verão. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde mostram que pelo menos 58% das 561 cidades brasileiras analisadas estão em uma dessas condições. Em 2010, esse porcentual era de 48%.

Duas das três cidades do litoral paulista em alerta para a dengue em 2011 não estavam nessa situação no último verão. Em São Vicente, na Baixada Santista, o índice de domicílios com criadouros do Aedes aegypti passou de 0,1% para 1,4%. O Guarujá permanece na condição de alerta. Já em Caraguatatuba, no litoral Norte, o índice cresceu de 0,5% para 1,2%.

Dos 284 municípios do Brasil em estado de alerta ou em risco de surto, 161 estão no Nordeste. Porto Seguro, Salvador, Ilhéus e Itabuna, na Bahia, além de Maceió e Maragogi, em Alagoas, e São Luís, no Maranhão, fazem parte dessa categoria.

De acordo com o Levantamento de Índice Rápido de Infestação por Aedes aegypti (Liraa), feito pelo ministério em parceria com as secretarias municipais, os principais criadouros do mosquito no Norte e no Sul se encontram no lixo. No Nordeste e no Centro-Oeste, em locais de armazenamento de água, como caixas-d'água. Já no Sudeste, o local preferido de proliferação dos mosquitos são utensílios encontrados dentro das casas, como vasos e pneus. 

Prevenção

Segundo o especialista em dengue e coordenador da Sociedade Paulista de Infectologia, Rodrigo Angerani, a melhor forma de se proteger da dengue é evitar a proliferação da larva do Aedes aegypti. “É importante ficar atento ao local que a pessoa vai passar a maior parte do tempo, como hotel, pousadas e casas de veraneio para eliminar os criadouros”, avisa o médico.

“Infelizmente o mosquito tem hábitos diurnos e quem busca a praia procura fazer atividades durante o dia. Uma medida adequada seria utilizar roupas que pudessem cobrir a superfície corpórea, mas é muito difícil aderir nesse caso”, diz Angerani.

A utilização de repelentes é outra recomendação para evitar a infecção pelo mosquito da dengue. “Alguns protetores solares já contêm os dois princípios ativos: para proteger dos raios solares e repelir os mosquitos”, indica o especialista. Caso os dois produtos sejam usados separadamente, é indicado que o filtro solar seja passado antes do repelente. “O mais importante é cumprir a peridiocidade de cada produto, como indicado na bula”, acrescenta.

Em ambientes fechados localizados em áreas de alta infestação, o ideal é utilizar mosqueteiros ou telas nas janelas para diminuir o risco de ser picado.

Sinais da doença

Caso sintomas da dengue apareçam, procure um médico. “Dor de cabeça, dor nos olhos e dores pelo corpo [nos grupos musculares e articulações] podem sugerir dengue. Outros sinais podem demonstrar maior gravidade, como dor abdominal, vômito, sangramento e manchas pelo corpo”, recomenda Angerani. Beber bastante água pode ajudar na recuperação, principalmente nos primeiros.

Pacientes com dengue podem servir de infecção para outros mosquitos. “Não orientamos o isolamento, mas atenção ao local onde essa pessoa esteja se recuperando. O uso do repelente não é necessário se for garantido que o ambiente está livre do mosquito”, finaliza o infectologista.

Alerta do ministério

O ministro da Saúde, Alexandre Padinha, afirmou que as cidades em situação de risco devem “trabalhar muito” para reduzir os índices até janeiro, quando acontecerá a próxima avaliação. “Se nada for feito agora, a tendência é ter uma infestação ainda maior”, alerta o ministro.

“Não precisa tecnologia nem comprar nada para combater a dengue. Temos que desmistificar: são medidas simples que cada família pode fazer”, diz o secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, ao citar a limpeza de caixas de água e o não acúmulo de lixo. 

Como o ovo do mosquito sobrevive até 300 dias, o combate deve ser permanente.

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