Cientistas descobrem possível forma de combater sintoma da síndrome de Down

Cientistas descobrem possível forma de combater sintoma da síndrome de Down

Atualizado: Quinta-feira, 19 Novembro de 2009 as 12

Cientistas americanos desenvolveram em ratos o que poderia ser uma estratégia para combater um dos efeitos da síndrome de Down nas crianças, segundo um relatório divulgado ontem, dia 18, na revista "Science Translational Medicine".

Os cientistas da Escola de Medicina da Universidade de Stanford e do Hospital Pediátrico Lucile Packard explicaram que a chave dessa estratégia poderia ser a substância norepinefrina, um neurotransmisor que os neurônios utilizam em sua comunicação.

Aplicado em roedores alterados geneticamente para apresentaram os sintomas da síndrome de Down, o aumento da norepinefrina melhorou de maneira considerável a capacidade mental dos ratos, indicaram os cientistas.

Ao nascerem, as crianças com síndrome de Down não são intelectualmente incapacitadas, mas os problemas de memorização características da doença afetam a aprendizagem e prejudicam o desenvolvimento normal.

"Se houver uma intervenção com antecipação suficiente poderemos ajudar as crianças com síndrome de Down a recolher e modular informação", disse Ahmad Salehi, investigador do Sistema de Atendimento Médico para Veteranos em Palo Alto, no estado americano da Califórnia.

Salehi, principal autor do estudo, disse que, em teoria, a intervenção poderia levar a uma melhora das funções intelectuais das crianças afetadas.

Ao administrar precursores de norepinefrina nos roedores com sintomas de Down, os pesquisadores disseram ter resolvido o problema.

Poucas horas após consumir a substância, os ratos adquiriram um comportamento normal e o exame direto de suas células mostrou que respondiam positivamente o neurotransmisor aumentado, segundo o estudo.

"Nos surpreendeu constatar seu rápido efeito", disse Salehi, que também reconheceu que desapareceu rapidamente.

"Os resultados do estudo de Salehi dão uma ponta de esperança e otimismo", disse Melanie Manning, diretora do centro para a doença no Hospital Pediátrico Lucile Packard.

"Ainda fica um caminho muito longo a percorrer, mas estes resultados são muito interessantes", acrescentou.

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