Código de barras genético abre as portas para luta contra doenças

Código de barras genético abre as portas para luta contra doenças

Atualizado: Segunda-feira, 9 Novembro de 2009 as 12

Uma nova técnica que permite analisar de forma rápida e barata o DNA de plantas e animais, chamada ''código de barras genético'', vai ter um papel fundamental na luta contra várias doenças e o contrabando de espécies, disse hoje um grupo de cientistas internacionais.

Cerca de 350 especialistas de 50 países de todo o mundo participam amanhã, no México, da 3a Conferência Internacional do Código de Barras da Vida, em que os pesquisadores vão tentar finalizar um acordo que abrirá o caminho para lutar de forma efetiva contra o comércio ilegal de madeira.

O secretário-executivo do CBOL (Consórcio do Código de Barras da Vida, na sigla em inglês), David Schindle, explicou que em pouco tempo a técnica iniciada na Universidade Guelph do Canadá vai se tornar uma ferramenta fundamental para as agências governamentais.

A tecnologia do código de barras DNA se baseia na análise de uma mínima parte de um gene da mitocôndria de uma célula animal, que permite diferenciar espécies diferentes. Para isso, só é preciso uma pequena amostra de tecido (um miligrama é suficiente). O custo da análise é muito inferior (entre US$ 2 e US$ 3) ao de outras partes do genoma e pode ser feito em apenas duas ou três horas.

Uma das principais tarefas da reunião será determinar que quantidade de matéria genética é necessária para identificar de forma segura diferentes espécies vegetais. Assim que a norma for aprovada, será possível usar mecanismos de análise que permitam dizer, por exemplo, se uma carga de madeira exportada de um país a outro é legal ou se pertence a uma espécie protegida.

Na África, a tecnologia do código de barras genético vem sendo usada para lutar contra a venda ilegal de carne de animais protegidos. Nos Estados Unidos, ela servirá para determinar com exatidão as espécies de produtos da pesca importados pelo país.

No Brasil, o código de barras permitiu confirmar que os 58 ovos que um contrabandista tentou tirar do país em 2003 pertenciam a espécies protegidas.

A doutora Patricia Escalante, diretora do Departamento de Zoologia do Instituto de Biologia da Unam (Universidade Nacional Autônoma do México) disse que o código de barras será uma fundamental para preservar a biodiversidade mexicana e lutar contra doenças.

''Com a mudança climática estão aumentando doenças como o dengue, a malária e a doença de Chagas. Temos que identificar mais rápido tanto o transmissor da doença como o hospedeiro. Esta é uma aplicação que vai ser adotada rapidamente''.

Schindel acrescentou que ''os cientistas da biodiversidade estão utilizando a tecnologia do DNA para decifrar mistérios da mesma forma como os detetives o utilizam para resolver crimes''.

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