Coluna Dr. Pedro Xavier - Novas esperanças para os portadores de DMRI

Coluna Dr. Pedro Xavier - Novas esperanças para os portadores de DMRI

Atualizado: Terça-feira, 12 Fevereiro de 2008 as 12

 

Novas esperanças para os portadores de DMRI

 

Pacientes brasileiros que sofrem com DMRI - Degeneração Macular Relacionada à Idade - agora contam com um novo tratamento que tem apresentado excelentes resultados nos países da Europa e nos Estados Unidos.

 

Trata-se do Macugen, o primeiro de uma série de remédios de alta tecnologia voltados para o tratamento da forma úmida da DMRI. Desenvolvido pela empresa nova-iorquina Eyetech, em parceria com a Pfizer, o Macugen tem como princípio ativo o Pegaptanib Sódico, um antiangiogênico, e seu uso foi aprovado pelo FDA (Foods and Drugs Administration) Americano.

Essa nova medicação age inibindo a ação do VEGF (Vascular Endothelial Growth Factor ou Fator de Crescimento Vascular Endotelial), proteína responsável pelo nascimento, crescimento e consolidação dos neovasos. O tratamento com Macugen apresenta vantagens em relação aos procedimentos tradicionais com terapia fotodinâmica, já que a nova droga é indicada para todos os casos de DMRI da forma úmida.

A DMRI é a alteração que ocorre no centro da retina, chamada mácula, e que é responsável pela visão de detalhes. A doença leva à perda da visão central, responsável por 90% da visão total, e, com isso, o paciente começa a ver as linhas retas ficarem tortas, não consegue ler, dirigir nem ao menos enxergar as horas no relógio.

A DMRI apresenta-se de duas formas: a atrófica ou seca e a forma exudativa ou úmida. A forma úmida caracteriza-se pela formação de vasos sanguíneos anormais sob a retina e a mácula, os quais podem derramar sangue ou fluido e, conseqüentemente, causar a perda de visão.

No tratamento da forma úmida da DMRI, o Macugen é administrado por meio de injeções intra-oculares aplicadas a cada seis semanas durante dois anos. A forma úmida da doença é bem mais agressiva e atinge cerca de 10 a 15% do total de pacientes. Embora com menor incidência entre os portadores de DMRI, 90% dos casos de cegueira ou de incapacitação ocorrem entre os pacientes que sofrem da forma úmida da doença.

Nos Estados Unidos, dados do Medical Care indicam que cerca de quinze milhões de pessoas têm problemas visuais provocados pela DMRI nas suas duas formas e estima-se que ocorra o aparecimento de 200 mil casos novos por ano no país.

No Brasil, de acordo com estimativa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 20% da população total de 185 milhões de brasileiros têm mais de 55 anos. Estudos mostram que cerca de 14% deste grupo, ou seja, cinco milhões de brasileiros são portadores da DMRI em pelo menos um olho. Destes últimos, algo entre 500 mil e 800 mil indivíduos deverão desenvolver a forma úmida da doença nos próximos cinco anos. Diante destes dados, pode-se avaliar a importância do surgimento de novas alternativas para o tratamento da doença.

Pedro Xavier é médico, oftalmologista do corpo clínico do Hospital de Olhos de São Paulo e fellow do Hospital das Clínicas.

 

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